O que se sabe até o momento sobre a Megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio que totaliza 64 mortos e 81 presos
Uma megaoperação policial no Rio de Janeiro terminou de forma trágica na terça-feira (28). Segundo informações das polícias Civil e Militar, pelo menos 64 pessoas morreram e 81 foram presas durante a ação contra o Comando Vermelho, nas comunidades do Complexo do Alemão e da Penha, na capital fluminense.
Entre os mortos estão quatro policiais, além de relatos de outros agentes e moradores baleados. O governador Cláudio Castro (PL) afirmou, nesta quarta (29), que foram confirmadas 58 mortes, enquanto outras 54 ainda estão sob investigação. “De vítimas ontem só tivemos os policiais”, disse ele, numa fala que causou polêmica e revolta nas redes.
De acordo com um levantamento do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (UFF), essa foi a operação mais letal registrada no Rio desde 1990. Organizações de direitos humanos classificaram a ação como chacina, questionando sua eficácia e denunciando abusos. Até a ONU se manifestou, dizendo estar “horrorizada” com o número de mortos e pedindo uma investigação rápida e transparente.
Durante a madrugada, moradores da Penha levaram ao menos 55 corpos para a Praça São Lucas, uma das principais vias da região. Esses corpos não entraram de imediato no balanço oficial, segundo o coronel Marcelo de Menezes Nogueira, da PM. Ainda há dúvidas se todas as mortes estão ligadas diretamente à operação — a perícia vai tentar esclarecer.
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Outras imagens que circularam durante a noite mostravam moradores retirando mais seis corpos da mata no Alemão e levando-os de kombi até o Hospital Getúlio Vargas. A cena, segundo a GloboNews, foi de desespero e revolta.
A ação reuniu 2,5 mil agentes das forças de segurança para cumprir cem mandados de prisão em uma área de 9 milhões de metros quadrados. Castro definiu como “a maior operação da história do Rio”, dentro da chamada Operação Contenção, criada para tentar sufocar o tráfico sob comando do CV.
Segundo o governador, a ofensiva foi planejada por mais de um ano e envolveu policiais do COE, CORE e delegacias especializadas. Mais de 100 fuzis e grande quantidade de drogas foram apreendidos, segundo o governo.
Mas o impacto da operação foi além do confronto. Escolas e universidades suspenderam aulas, o transporte público parou em vários pontos e ruas ficaram desertas na noite de terça. No meio disso, relatos de moradores com medo de sair de casa, drones sobrevoando a região e até explosivos lançados contra os policiais.