Figurinos de Mia Goth em “Frankenstein” revelam o lado mais sombrio da história
Mais de duzentos anos depois de ser publicado, o clássico “Frankenstein”, de Mary Shelley, continua inspirando o cinema e despertando curiosidade. Agora, em 2025, o diretor Guillermo del Toro — conhecido por dar vida a monstros com alma e dramas com poesia — apresenta sua própria versão do conto sombrio sobre Victor Frankenstein e sua Criatura. O filme, produzido pela Netflix, traz não só uma nova leitura do embate entre criador e criação, mas também um visual arrebatador, com destaque para a personagem Elizabeth Harlander, interpretada por Mia Goth, que brilha em figurinos cheios de significado e beleza.

A força dos detalhes
Responsável pelos trajes do longa, a figurinista Kate Hawley, parceira de longa data de del Toro, conseguiu transformar o guarda-roupa de Elizabeth em uma espécie de extensão de sua alma. Hawley, que já trabalhou com o diretor em produções como A Forma da Água, mergulhou na mente curiosa e sensível da personagem. O resultado são roupas que parecem ter vida própria.
Os vestidos usados por Elizabeth lembram o brilho e as formas dos besouros, uma escolha nada aleatória. A inspiração vem do fascínio da personagem por insetos e pela natureza — uma obsessão que também aproxima ela da Criatura, que no início da história se comporta como uma criança descobrindo o mundo pela primeira vez. Esse elo visual reforça a conexão emocional entre ambos, algo que del Toro sempre gosta de explorar: o lado humano dos monstros e o lado monstruoso dos humanos.


A simbologia por trás do figurino
Em uma das cenas mais marcantes, no primeiro encontro entre Elizabeth e a Criatura, o figurino vai sendo desfeito camada por camada. O véu transparente e as luvas são retirados, revelando a mulher por trás da aparência contida. É quase uma metáfora visual para o que o filme quer dizer — a ideia de que o verdadeiro “monstro” está muitas vezes escondido sob máscaras sociais.
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Um detalhe curioso é a faixa roxa no pescoço da personagem. Segundo o próprio Guillermo del Toro, essa cor aparece apenas em Elizabeth e na Criatura, criando uma ligação visual entre os dois. O roxo, tradicionalmente associado à espiritualidade e à transição entre vida e morte, reforça o tom melancólico e poético do filme.


Um aceno à história do cinema
Outro figurino que chamou atenção nas redes foi o vestido de noiva usado por Elizabeth na reta final. O público mais atento percebeu a homenagem clara ao clássico “A Noiva de Frankenstein” (1935), estrelado por Elsa Lanchester. As bandagens brancas enroladas nos braços de Mia Goth são praticamente uma citação direta àquela icônica imagem do cinema antigo — uma espécie de diálogo entre gerações de monstros.