Após 7 de Setembro, Planalto reúne ministros por estratégia contra anistia
Questionado pela coluna, o ministro tentou desconversar. Disse que não foi por falta de interesse, mas sim por agenda já marcada. “Tive que dar ordem de serviço hoje no ministério, não consegui ir”, explicou, sem abrir muito o jogo sobre que ordem era essa. A resposta soou burocrática, mas, no clima atual de Brasília, cada gesto tem seu peso político.
Essa movimentação do governo mostra uma tentativa clara de mudar a narrativa e ganhar tempo. O Planalto sabe que o debate sobre anistia é explosivo: de um lado, grupos que pedem “pacificação nacional”; do outro, vozes que enxergam nisso um sinal de impunidade. E, enquanto o Congresso mede forças, ministros e partidos tentam colocar na frente temas mais “palatáveis” para a sociedade.
Vale lembrar que o 7 de Setembro deste ano foi marcado por manifestações menos grandiosas que em 2021 e 2022, mas ainda carregadas de tensão. Isso também explica a pressa do governo em responder rápido, antes que a pressão das ruas acabe respingando no plenário da Câmara.
No fim das contas, o recado de Gleisi foi claro: a prioridade é alinhar o discurso, segurar a pressão e, sempre que possível, mostrar que há coisas mais urgentes para votar. E, no jogo político brasileiro, essa estratégia de empurrar com a barriga pode ser, sim, a chave para virar o jogo.
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