Prisão do presidente da Alerj gera benefícios diretos ao PL de Bolsonaro
A decisão do STF que determinou a prisão preventiva de Rodrigo Bacellar, atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), acabou criando um efeito dominó na política fluminense. E, curiosamente — ou nem tanto — quem surge como beneficiado imediato é justamente o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que já vinha tentando reorganizar suas forças no estado após um período de turbulências internas.
O ministro Alexandre de Moraes, o mesmo que tem protagonizado decisões importantes nos últimos meses envolvendo políticos de diversos espectros, não só mandou prender Bacellar como também determinou seu afastamento da presidência da Alerj. Na prática, isso abriu caminho para uma troca de comando que já está repercutindo nos bastidores com aquele clima de “novo capítulo” que a política do Rio adora produzir.
Com Bacellar fora do cargo, quem assume a função é o deputado estadual Guilherme Delaroli (PL-RJ), atual vice-presidente da Casa. Delaroli é figura próxima do deputado federal Altineu Côrtes, presidente do PL no Rio e um dos nomes mais influentes do partido no estado, especialmente depois das reacomodações políticas que vieram com as eleições municipais de 2024 e as movimentações para 2026.
Delaroli não é um novato na política, apesar do rosto mais jovem. Ele vem de uma família tradicional do ramo: é filho do ex-vereador José Delaroli (PL) e irmão do atual prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli (PL). Além disso, tem trajetória na área de segurança, já que é militar da reserva da PM do Rio, o que reforça ainda mais sua conexão com a base bolsonarista — que costuma valorizar perfis associados às forças de segurança.
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A queda de braço com Cláudio Castro
Mas o impacto da prisão de Bacellar não se limita apenas à troca de comando. Existe também o efeito político de médio e longo prazo: a redução da influência do agora afastado presidente da Alerj. Nos últimos meses, ele tinha se tornado um verdadeiro espinho no sapato do governador Cláudio Castro (PL), com quem travava uma disputa silenciosa — e às vezes nem tão silenciosa assim — por espaço e poder.
O ponto de virada nessa relação teria acontecido em julho. Naquele período, Castro viajou ao exterior e deixou Bacellar como governador em exercício. O que aconteceu logo depois virou uma daquelas cenas dignas de roteiro político: Bacellar exonerou o secretário estadual de Transportes, Washington Reis (MDB), sem sequer consultar o governador. A justificativa oficial nunca convenceu totalmente, e a ação foi vista como um desafio direto à autoridade de Castro.