Mulher que recebeu o coração de Eloá Pimentel perdeu a vida de forma trágica
A grande virada aconteceu quando um médico recomendou a cirurgia de Fontan, um procedimento arriscado, usado em crianças com coração univentricular. Ela fez essa operação em São Paulo, pelo SUS, e conseguiu viver com a válvula por 13 anos. Só que com o tempo, o corpo começou a falhar de novo, e o transplante virou a única saída.
Mesmo na fila, não foi fácil. Dois corações apareceram antes, mas nenhum serviu. Até que, na noite de 19 de outubro de 2008, veio a ligação: “Corre pro hospital, porque acho que você vai ganhar o coração da Eloá”. Ela já conhecia o caso pela TV. Ao chegar lá, o médico perguntou se ela acreditava em milagres — e aquele seria mais um. Já havia cinco pessoas na frente dela na UTI, mas nenhuma era compatível. Ela sim.
Às 23h30, Augusta entrou no centro cirúrgico. Saiu horas depois, já no dia 20, com um novo coração batendo, como um presente de aniversário. A partir dali, veio uma vida inteira de gratidão. Virou amiga da família de Eloá, manteve contato, defendia a doação de órgãos onde quer que fosse. “Voltei a viver”, dizia sempre.
Até seus últimos dias, Augusta repetia a mesma frase: que a maior mudança da sua vida foi perceber o valor de alguém que doa um pedaço de si para salvar o outro. E, mesmo sem poder ter filhos, dizia ser feliz ao lado do marido, Carlos, e da enteada que tanto amava.
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