Tragédia no Paraná: jovem que perdeu a vida em tornado mandou mensagem ao pai pouco antes de ser atingida
A última conversa entre o pai e a jovem Julia Kwapis, de apenas 14 anos, foi sobre um dos momentos mais esperados da vida dela: a Crisma. A menina, cheia de planos, fazia parte do grupo de adolescentes que se preparavam para receber o sacramento naquele fim de semana. Ninguém poderia imaginar que aquele diálogo simples, enviado por áudio de WhatsApp, seria o último contato entre pai e filha.
Julia era uma das seis vítimas fatais do tornado que devastou a pequena cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no interior do Paraná, na noite de sexta-feira (7/11). A tragédia pegou todo mundo de surpresa — ninguém ali estava preparado para o que veio do céu. Ventos fortíssimos varreram ruas, arrancaram telhados, derrubaram árvores e mudaram vidas em poucos minutos.
Naquele momento, Julia estava na casa de uma amiga. As duas conversavam, riam, sem imaginar que o vento iria se transformar em uma força tão destruidora. Quando o tornado passou, ela acabou sendo arrastada pela ventania. Durante horas, familiares e amigos ficaram sem notícias. Somente na manhã seguinte, sábado (8/11), veio a informação de que Julia havia sido encontrada e levada para um hospital em Laranjeiras do Sul, cidade vizinha. Infelizmente, apesar de todo o esforço médico, ela não resistiu aos ferimentos.
O que mais emociona é pensar que, naquele mesmo dia, Julia faria sua Crisma. A cerimônia estava marcada para o sábado, e ela falava disso com empolgação. Na véspera, às 16h45, ela enviou uma mensagem de voz para o pai, Roberto Kwapis. No áudio, que foi exibido em uma reportagem da RPC, mostrada também pela Globonews, a menina comenta uma conversa da madrinha sobre o que fariam após a celebração.
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“Aí a madrinha perguntou se a gente vai fazer… vai querer fazer churrasco amanhã ou algo do tipo. Fazer alguma coisa depois da crisma, ela perguntou”, diz Julia na gravação. O tom era leve, alegre. Uma fala comum, simples, como a de qualquer adolescente que se prepara para um momento importante.
O mais chocante é o horário da mensagem — ela foi enviada cerca de uma hora antes de o tornado atingir Rio Bonito do Iguaçu. Menos de sessenta minutos separaram um dia normal de um desastre que destruiu casas, sonhos e levou seis vidas, incluindo a de Julia.
Segundo dados divulgados pelas autoridades locais, cerca de 775 pessoas precisaram de atendimento médico em toda a região, entre feridos leves e graves. O cenário que ficou depois do tornado era de completa destruição. Vídeos gravados por drones e moradores mostravam ruas cobertas de destroços, postes caídos e famílias tentando salvar o pouco que restou.