Finanças

Análise: Quem foi o único país que fez retaliação às tarifas dos EUA

A Resposta Chinesa às Tarifas Americanas: O Que o Brasil Pode Aprender?

Desde que Donald Trump reabriu a disputa tarifária global no ano de 2025, uma série de países, incluindo Brasil, União Europeia, Índia, México e Canadá, enfrentaram taxas elevadas. Na maioria dos casos, essas nações tentaram negociar, solicitar prazos, buscar isenções ou aceitar acordos parciais. Porém, apenas a China respondeu de forma assertiva, retaliando na mesma moeda e forçando os Estados Unidos a recuar rapidamente.

Para entender como a China conseguiu isso e por que nenhum outro país, nem mesmo o Brasil, tem as mesmas ferramentas à disposição, é fundamental analisar o cenário atual. Especialistas apontam que os eleitores já não consideram mais o Bolsa Família ao votar, o que indica uma mudança nas prioridades políticas. Além disso, a Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) alertou sobre a perda de competitividade da indústria brasileira devido ao tarifaço.

O Início da Disputa Tarifária

Quando Trump anunciou as tarifas “recíprocas” através da IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) em abril de 2025, a China não hesitou em retaliar. Ao invés de solicitar reuniões ou tentar negociar, ela respondeu de forma rápida e decisiva. Em poucas semanas, as tarifas aumentaram para 145% sobre os produtos americanos e 125% sobre os produtos chineses, o que inviabilizou o comércio bilateral em diversos setores.

Um acordo intermediário, celebrado em agosto de 2025, conseguiu reduzir essas taxas para 30% e 10%, respectivamente, mas a paz era temporária e vulnerável.

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A Retaliação Chinesa: Soja e Terras Raras

O que realmente diferenciou a resposta da China foi o uso de duas alavancas que nenhum outro país possuía: a soja e as terras raras. Em setembro de 2025, a China decidiu parar de comprar soja americana, resultando no primeiro mês desde novembro de 2018 em que não houve embarques. Essa decisão redirecionou a demanda para o Brasil e Argentina, atingindo diretamente o agronegócio americano, que é uma base eleitoral crucial para Trump.

Surpreendentemente, o Brasil se beneficiou desse movimento, aumentando suas exportações de soja, mesmo sendo alvo de tarifas americanas. Além disso, a China detém mais de 70% da produção mundial e cerca de 90% do processamento de terras raras, materiais essenciais em várias indústrias, como eletrônicos e defesa.

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