Finanças

Análise: Quem foi o único país que fez retaliação às tarifas dos EUA

Em outubro de 2025, a China ampliou o regime de licenciamento para a exportação desses materiais como resposta direta às tarifas americanas. O impacto foi instantâneo, deixando fabricantes globais dependentes de aprovações chinesas. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, chegou a descrever isso como uma “tomada de poder da cadeia de suprimentos global”.

A Escalada e a Trégua

Trump, por sua vez, reagiu ameaçando aumentar as tarifas sobre a China para 100% e até cogitou cancelar um encontro com Xi Jinping. No entanto, a escalada não durou muito. Em uma reunião em outubro de 2025, na Cúpula da ASEAN, os dois países conseguiram chegar a um novo acordo, no qual os EUA reduziram as tarifas gerais sobre a China para 47%, enquanto a China suspendeu seu regime mais restritivo de licenciamento de terras raras por um ano e retomou grandes compras de soja americana.

A Fragilidade do Brasil

A comparação entre a resposta da China e a do Brasil é dolorosa. O Brasil também enfrentou tarifas de até 50%, mas não tem insumos estratégicos que possam causar um impacto significativo nos EUA. O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, mencionou a possibilidade de acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, mas sem uma carta de troca real, essa ação tende a ser simbólica.

Essa situação expõe uma fragilidade estrutural no Brasil: décadas de baixa integração em cadeias globais de valor deixaram o país sem alavancagem para negociar. O Brasil continua a exportar commodities primárias, que são facilmente substituíveis, ao contrário da China, que investiu em controle estratégico ao longo dos anos.

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Conclusão: O Que o Brasil Precisa Fazer

A lição que se tira desse episódio é clara: o Brasil não deve retaliar sem uma estratégia equivalente. A capacidade de se defender em crises comerciais vem de décadas de planejamento estratégico. Para que o Brasil não continue a ser um espectador em futuras crises, é essencial que o país invista em diversificação de mercados, agregação de valor a suas exportações e abertura comercial com outros blocos.

Em resumo, a China não reagiu por acaso; sua capacidade de resposta foi resultado de um planejamento cuidadoso ao longo de décadas. O Brasil precisa seguir esse exemplo e construir suas próprias ferramentas de negociação e defesa no cenário global.

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