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Em 2026, eleitor vai votar para manter ou libertar Bolsonaro da prisão

A eleição de 2026, que muita gente imaginava ser um respiro depois da montanha-russa política dos últimos anos, acabou assumindo um formato meio inesperado. Na prática — e isso já se comenta nos bastidores de Brasília, nos grupos de WhatsApp dos partidos e até em debates improvisados no X — o eleitor vai decidir se Jair Bolsonaro continuará atrás das grades ou se volta para casa. Não será um plebiscito declarado, com papelzinho oficial e tudo mais, mas um plebiscito silencioso, implícito, que se formou quase naturalmente após a condenação do ex-presidente a 27 anos e 3 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal.

A direita, por enquanto, não mostrou seu nome definitivo. Fala-se em Tarcísio, mas ele mesmo parece meio dividido entre São Paulo e o sonho de 2026; há quem cite Michelle Bolsonaro, embora aliados mais técnicos digam que ela prefere continuar como símbolo, não como cabeça de chapa; e tem ainda os aventureiros políticos que tentam se apresentar como “herdeiros do bolsonarismo”. Só que uma coisa já está acertada e repetida quase como mantra: quem assumir o posto de candidato desse campo vai defender a anistia de Bolsonaro. Ou seja, o eleitor que votar nesse representante estará, de forma direta, optando por libertá-lo.

Do outro lado, escolher Lula — que ainda não confirmou se vai ou não apoiar alguém oficialmente, mas todo mundo sabe que o PT já prepara o terreno — ou qualquer nome alinhado à esquerda significará apoiar a manutenção da prisão. É curioso observar como, mais uma vez, o país chega a uma eleição discutindo muito menos sobre propostas concretas e mais sobre destinos individuais, símbolos e disputas de narrativa. Isso já tinha acontecido em 2022, quando o debate se transformou numa verdadeira guerra de mundos. Naquela ocasião, inclusive, Lula chegou a dizer que o eleitor conheceria o programa dele depois da vitória. Foi meio estranho ouvir isso em pleno século XXI, mas, no final das contas, funcionou.

Para 2026, imaginava-se um cenário mais técnico, mais frio, quase “normal”, principalmente porque Bolsonaro, impedido pela Justiça Eleitoral, não poderia concorrer. Parecia a chance perfeita de comparar, lado a lado, as ideias de cada lado. O pessoal da direita falava bastante em segurança pública, endurecimento das leis, combate ao crime organizado — tema que voltou a ganhar força neste ano com o avanço das facções no Norte e no Centro-Oeste. Já a esquerda, como de costume, planejava insistir na ampliação dos programas sociais, no aumento de investimentos do PAC renovado e na expansão das políticas educacionais.

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