Cláudio Castro volta a mostrar insatisfação sobre Lula após megaoperação no Rio
Depois de dias de tensão, declarações atravessadas e uma tentativa de “trégua”, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), voltou a demonstrar insatisfação com o governo federal. Mesmo após uma reunião considerada pacificadora com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, o clima entre o Palácio Guanabara e o Planalto continua azedo. O motivo? Segundo aliados, Castro segue chateado por não ter recebido sequer um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da megaoperação policial que deixou 121 mortos no estado — número que, por si só, já acendeu o alerta no Brasil e fora dele.
De acordo com informações publicadas na coluna da jornalista Malu Gaspar, em O Globo, o governador vinha tentando há meses uma conversa direta com Lula, mas sem sucesso. O presidente até enviou Lewandowski e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para conversar, oferecer apoio e mostrar presença institucional. Mas Castro esperava um gesto mais pessoal — aquele tipo de ligação que demonstra respeito político e, principalmente, preocupação com a situação do Rio, que enfrenta uma das piores crises de segurança pública dos últimos anos.
Durante a coletiva de imprensa, realizada na terça-feira passada, Castro deixou escapar parte da irritação. “Já entendemos haver a política de não ceder blindados militares. Disseram que precisa de uma GLO… mas o presidente já deixou claro que é contra a GLO”, afirmou, referindo-se à Garantia da Lei e da Ordem, que autoriza o uso das Forças Armadas em operações de segurança. Apesar do tom crítico, ele tentou parecer firme: “A gente não vai ficar chorando pelos cantos, vamos continuar trabalhando”, disse, tentando demonstrar que o governo estadual segue de pé mesmo sem o apoio total de Brasília.
Depois do discurso, percebendo que o atrito poderia piorar, Castro ligou para a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, numa tentativa de colocar panos quentes. Disse que não quis criticar Lula e que suas falas foram mal interpretadas. Mas Gleisi não engoliu fácil. Ela rebateu afirmando que o governo fluminense deveria ter convidado o governo federal para participar do planejamento da operação. “O governo federal vai servir só pra emprestar armas?”, disparou. A troca de farpas deixou o ambiente político ainda mais carregado.
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Com a repercussão negativa e a pressão aumentando, o ministro Ricardo Lewandowski e o governador anunciaram a criação de um escritório conjunto para combater o crime organizado, especialmente o tráfico de armas e drogas que domina várias comunidades cariocas. Também ficou acertado o envio de mais agentes federais para o Rio, numa tentativa de mostrar que a cooperação entre os governos ainda existe — ao menos no papel.