História chocante em ‘Três Graças’: Menina engravida e pai desaparece, especialista faz alerta
A nova novela das nove da Globo, Três Graças, chega prometendo fazer o público chorar, refletir e se identificar. A trama, escrita por Aguinaldo Silva, aposta em um enredo sensível que fala sobre temas ainda muito presentes na vida de milhões de brasileiras: gravidez na adolescência, abandono paterno e a força das mulheres que criam filhos sozinhas.
Segundo um levantamento recente da Fundação Getúlio Vargas, cerca de 15% das famílias brasileiras são chefiadas por mães solo, um número que não para de crescer. Em pouco mais de uma década, passamos de 9 para 12 milhões de lares liderados por mulheres — e a novela chega justamente para dar rosto e voz a essas histórias.
De acordo com reportagem do Fantástico, Aguinaldo contou que a ideia surgiu após uma visita emocionante à Maternidade Leila Diniz, no Rio de Janeiro. Foi ali, entre mães jovens, choros de bebê e histórias de superação, que o autor decidiu criar Três Graças. A novela é ambientada em uma comunidade fictícia inspirada na Brasilândia, na zona norte de São Paulo, e acompanha três gerações de mulheres — Lígia, Gerluce e Joély — unidas por laços de afeto, dor e resistência.
O peso maior sobre os ombros femininos
A psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, ouvida pelo Fantástico, explicou que a gravidez na adolescência impacta emocionalmente muito mais a menina do que o rapaz. Segundo ela, isso acontece porque a sociedade ainda coloca sobre a mulher quase toda a responsabilidade pelos filhos, enquanto o homem costuma escapar dessa cobrança.
“É um reflexo histórico. Vem lá da família burguesa, onde a mulher cuidava da casa e o homem era o provedor. Isso foi herdado pela classe trabalhadora e se mantém até hoje”, disse Rafaela.
A especialista comenta que, mesmo quando o garoto quer participar da gestação, há resistência. “Muitos pais afastam o menino da parceira, dizem frases do tipo ‘você nem sabe se o filho é seu’ ou ‘vamos mudar de cidade’. Isso reforça um padrão cruel, onde o feminino sempre é o lado mais penalizado”, afirma.
Did you like this article?
Quando a família entra em cena
Na maioria dos casos, quem mais sente o impacto da gravidez precoce é a família da adolescente. É ela quem assume o bebê, as despesas, o cuidado e, muitas vezes, o julgamento da vizinhança.
“Enquanto a família do rapaz raramente se envolve, a da menina carrega o peso inteiro. É um reflexo de uma sociedade que responsabiliza a mulher por tudo”, reforça Rafaela.