Análise: Recorde nos oceanos amplia o custo do risco climático
É importante ressaltar que não se pode atribuir diretamente uma enchente ou uma seca ao recorde de 21,10°C. O verdadeiro impacto econômico aparece quando as mudanças nas condições climáticas geram uma maior exposição de ativos, lavouras, cidades e cadeias de suprimentos a eventos que podem causar interrupções na produção e perdas financeiras.
O Cenário Brasileiro
No Brasil, a realidade já apresenta dimensões alarmantes. Um estudo realizado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) em parceria com a EY revelou que entre 2022 e 2024 foram identificados 67 eventos climáticos significativos, resultando em perdas estimadas de R$ 184 bilhões. Alarmantemente, somente 9% desse montante estava coberto por seguros.
Esse dado não abrange a totalidade do custo do aquecimento dos oceanos, mas ilustra claramente como os eventos climáticos podem transferir perdas para famílias, empresas e governos, especialmente quando a cobertura seguritária é baixa.
Setores como agricultura, geração de energia, e infraestrutura urbana dependem da estabilidade dos padrões de chuva e temperatura. Mudanças persistentes podem afetar os preços dos alimentos, os custos de energia e as decisões de investimento. Portanto, a importância do dado de agosto não está apenas na diferença de um centésimo de grau, mas na sequência de recordes que o antecedeu.
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Conclusão
Para empresas, seguradoras e governos, a mensagem é clara: modelos de risco que foram construídos com base em padrões climáticos do passado precisam ser adaptados para um novo ambiente em transformação. O oceano está mudando as premissas nas quais a economia fundamentou seus ativos, custos e infraestrutura.
É fundamental que todos nós estejamos atentos a essas mudanças e prontos para agir. Afinal, o futuro dos nossos oceanos e, consequentemente, o nosso futuro, dependem disso.