Corrupção no Porto do Rio: R$ 2 mi são apreendidos em dinheiro vivo
Desvendando a Operação Mare Liberum: Corrupção e Propina na Alfândega do Rio de Janeiro
A Operação Mare Liberum trouxe à luz um dos maiores escândalos de corrupção envolvendo a Receita Federal brasileira. Nesta ação, foram apreendidos mais de R$ 2 milhões em dinheiro, incluindo a impressionante quantia de US$ 400 mil, que, ao serem convertidos, totalizam cerca de R$ 1.989.600. Essa quantia foi encontrada na residência de uma auditora da Receita Federal, localizada na Barra da Tijuca, uma das áreas mais conhecidas da zona oeste do Rio de Janeiro.
Além disso, na mesma operação, a polícia encontrou R$ 1.248.800 em moeda nacional, e também dólares em espécie na casa de um auditor em Niterói. O valor desses dólares ainda está sendo contabilizado, mas já levanta sérias preocupações sobre a integridade dos servidores envolvidos.
O Que Motivou a Operação?
A operação foi deflagrada no dia 28 de novembro de 2023, fruto de um esforço conjunto entre a Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. O objetivo principal era desmantelar um esquema de corrupção e propina que operava no Porto do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, a organização criminosa atuou entre julho de 2021 e março de 2026, envolvendo não apenas servidores públicos, mas também despachantes aduaneiros e empresários. A proposta era simples, mas extremamente danosa: liberar mercadorias importadas de forma irregular em troca de pagamentos sistemáticos de propina.
Quem Está Envolvido?
Ao todo, a investigação resultou no afastamento de 25 servidores da aduana, auditores e analistas, todos sob determinação judicial. Além disso, nove agentes privados e despachantes também foram implicados nesse esquema, que operava em três frentes principais:
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- Liberação direta de mercadorias: Desembaraço de cargas com graves inconsistências nos canais vermelho e cinza.
- Setor de óleo e gás: Criação de procedimentos artificiais para liberar embarcações e equipamentos sem respaldo legal.
- Operadores portuários: Recebimento de vantagens indevidas pagas diretamente por operadores do porto.
Como o Esquema Funcionava?
O esquema era bastante sofisticado. A investigação revelou que a primeira frente de atuação envolvia o desembaraço direto de mercadorias que apresentavam irregularidades, ignorando as exigências legais. A segunda frente, no setor de óleo e gás, consistia na criação de procedimentos artificiais para liberar embarcações e equipamentos, favorecendo indevidamente empresas privadas mediante o pagamento de propina. Por fim, a terceira frente era o recebimento de vantagens indevidas por parte de operadores portuários.