Tabela de propina, códigos e saques rondam venda de sentenças no STJ
Escândalo no Judiciário: A Intrigante Rede de Venda de Sentenças no STJ
Nos últimos meses, o Brasil tem acompanhado com atenção as investigações da Polícia Federal (PF) sobre um esquema alarmante de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A complexidade e a organização do esquema se assemelham a uma multinacional, com divisões de tarefas e um verdadeiro fluxo de propinas que desafia a integridade do sistema judiciário.
Estrutura do Esquema
De acordo com um relatório parcial que foi revelado, a PF identificou que a operação funcionava como uma máquina bem azeitada. O advogado Roberto Zampieri, que atuava como um dos principais intermediários, recebia valores de partes interessadas em decisões judiciais. O dinheiro, segundo a investigação, era então repassado para a empresa Florais Transportes, que tinha ligações com o lobista Andreson Gonçalves.
Em um fluxo financeiro padronizado, a Florais era responsável por distribuir o dinheiro entre diversos servidores públicos e operadores financeiros. Isso frequentemente acontecia através de saques em dinheiro vivo, sem deixar rastros. Um ponto crucial na apuração foi o assassinato de Zampieri em 2023, o que acabou por desencadear um avanço significativo nas investigações em andamento.
Valores e Transações Suspeitas
A PF descobriu movimentações financeiras que levantaram suspeitas, incluindo um caso específico em que um investigado mencionou um “dinheiro do STJ” relacionado a uma quantia de R$ 500 mil. Além disso, uma transferência direta de R$ 50 mil foi associada a uma decisão judicial, enquanto um repasse de R$ 400 mil estava vinculado à negociação de uma sentença. Curiosamente, até mesmo pagamentos menores, como R$ 50 mil, foram documentados em processos do tipo Agravo em Recurso Especial (AREsp).
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Os valores envolvidos eram ainda mais alarmantes. A PF identificou um repasse colossal de R$ 6,8 milhões ao advogado Zampieri em um único processo, com pagamentos realizados em momentos estratégicos durante os julgamentos. De 2021 a 2023, um operador financeiro recebeu mais de R$ 6,5 milhões da empresa envolvida na distribuição de propinas, cobrando uma comissão de 3% para realizar os saques.
As Mensagens Reveladoras
As mensagens obtidas durante as investigações foram fundamentais para compreender a dinâmica do esquema. Em conversas, os envolvidos mencionavam que o pagamento das propinas estava atrelado às decisões judiciais: “Na decisão ele paga”. Além disso, havia cobranças de valores pendentes após decisões favoráveis, com a palavra “orçamento” sendo utilizada como um código para se referir aos valores das propinas.