Lula liga para Trump e joga duro em conversa quente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve, nesta terça-feira (2/12), uma conversa telefônica de mais ou menos 40 minutos com o líder norte-americano Donald Trump. A ligação, que o Planalto confirmou logo cedo, veio em um momento em que Brasília tenta ajeitar o tabuleiro comercial com os Estados Unidos — um tema que sempre dá pano pra manga, ainda mais depois das últimas mudanças tarifárias anunciadas pela Casa Branca no final de novembro.
Segundo o governo brasileiro, Lula fez questão de dizer a Trump que a decisão norte-americana de derrubar a tarifa de 40% sobre alguns produtos brasileiros — como carne bovina, café, frutas variadas e até itens ligados ao agronegócio que andavam pesando no bolso dos exportadores — foi “muito positiva”. Nas últimas semanas, esse assunto vinha dominando pautas de economistas e produtores rurais, que vivem um momento de atenção redobrada por causa das oscilações do mercado internacional e das chuvas irregulares que afetaram algumas safra no Centro-Oeste.
Para lembrar: no dia 20 de novembro, a Casa Branca decidiu zerar os 40% que ainda incidiam sobre uma parte dos produtos agrícolas brasileiros. Assim, ficaram livres de taxação itens como carne fresca, resfriada ou congelada, cacau, café, algumas frutas específicas, vegetais, nozes e fertilizantes. Uma mudança que, segundo especialistas, ajuda o Brasil a ganhar fôlego num cenário em que países como Austrália e Argentina também tentam ampliar espaço no mercado americano.
Vale lembrar também que, poucos dias antes — em 14 de novembro — o governo dos EUA já havia retirado as tarifas globais de 10%. Mesmo assim, certos setores brasileiros continuaram presos na alíquota de 40%, que agora passa a ser parcialmente revista. Lula comentou isso na conversa, reforçando que ainda existe uma listinha de produtos que continuam engessados. Segundo ele, o Brasil quer avançar “rápido” nessas negociações, porque há setores pressionando e o câmbio volátil não ajuda ninguém.
Do you have a pet at home?
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também entrou no assunto mais cedo, dizendo que a próxima batalha deve ser na área industrial, já que algumas taxas continuam atrapalhando a competitividade das empresas brasileiras — especialmente num período de recuperação econômica meio irregular, com altos e baixos típicos de fim de ano.
Cooperação no combate ao crime organizado
Outro ponto forte da conversa foi segurança. Lula pediu que os EUA reforcem a cooperação com o Brasil no enfrentamento ao crime organizado internacional. O tema volta e meia aparece no noticiário, especialmente após operações federais recentes que tentam asfixiar financeiramente facções, cortar rotas de lavagem de dinheiro e investigar grupos que funcionam a partir de fora do país.