Padilha promete ação dura contra médicos que contestam vacinas
O Ministério da Saúde decidiu apertar o cerco contra um grupo crescente de médicos que têm publicado, nas redes sociais, conteúdos classificados pela pasta como “antivacina”. Segundo o próprio ministério, esses profissionais não apenas espalham desinformação, mas também lucram oferecendo cursos, consultas diferenciadas e tratamentos sem comprovação científica — alguns chegando a cobrar valores bem salgados por coisas que, na prática, não têm validação. Diante desse cenário, o governo está preparando medidas em quatro frentes, incluindo até representação criminal.
A movimentação começou logo cedo. Na manhã de domingo (16), o ministro Alexandre Padilha apareceu nas redes para avisar que o Ministério da Saúde, em parceria com a Advocacia-Geral da União (AGU), não ficaria parado diante da disseminação da chamada “síndrome pós-spike” ou “spikeopatia”. Esses termos têm sido usados por médicos que atribuem supostos problemas de saúde às vacinas de RNA mensageiro — as mesmas aplicadas em massa durante a pandemia de Covid-19, especialmente entre 2021 e 2022. Segundo a pasta, não há base científica sólida que sustente essas alegações, que voltaram a circular agora, em meio a debates sobre novas campanhas de imunização.
Em entrevista ao Estadão, Padilha foi direto: classificou a conduta desses profissionais como uma mistura de “negacionismo com ganância”. E disse mais — que a partir desta segunda-feira (17), o ministério dará início formal aos procedimentos legais. A fala dele soou quase como um ultimato para quem insiste na divulgação de conteúdos que, segundo o governo, colocam a saúde pública em risco.
O plano do ministério é dividido em quatro etapas. A primeira delas envolve uma representação junto aos Conselhos Regionais de Medicina. A ideia é que esses órgãos avaliem a conduta ética dos médicos que propagam informações consideradas falsas ou distorcidas. Dependendo do caso, eles podem até ser suspensos ou sofrer algum tipo de sanção profissional.
Do you have a pet at home?
A segunda frente é uma ação civil pública, também em parceria com a AGU. O motivo, segundo Padilha, é que esses profissionais estariam afrontando o direito coletivo à saúde ao difundir informações que desencorajam a vacinação. A ação pode resultar em indenizações por danos à coletividade — algo que o governo tem defendido não apenas por causa do impacto imediato, mas pelo efeito cascata que a desinformação gera em campanhas de imunização e na confiança social.