Pai se revolta e aciona a polícia após filha desenhar orixá na escola
A confusão começou cedo na semana, numa escola municipal do Caxingui, Zona Oeste de São Paulo, e terminou do jeito que ninguém esperava: com a Polícia Militar entrando na Emei por causa de um desenho infantil. Parece roteiro de série nacional, mas é vida real mesmo.
Tudo aconteceu porque o pai de uma menina de 4 anos ficou indignado ao ver que a filha tinha desenhado Iansã — uma das orixás mais conhecidas nas religiões de matriz africana. O desenho fazia parte de uma atividade coletiva baseada no currículo antirracista que a rede municipal adotou há algum tempo, e que vem sendo reforçado depois de várias discussões públicas sobre representatividade, racismo estrutural e esses temas que viraram pauta até no Fantástico, no Roda Viva e tudo mais.
O homem, segundo relatos de outros pais, não gostou nadinha da proposta. Na verdade, ele teria ficado tão incomodado que acabou rasgando um mural cheio de desenhos feitos pela turma. A mãe de outro aluno foi quem contou isso, dizendo que a cena foi “bem tensa”, daquele jeito que as professoras tentam contornar enquanto as crianças ficam olhando sem entender nada.
A direção da escola, tentando resolver de forma tranquila, chamou o pai para participar de uma reunião do Conselho Escolar. Aquelas reuniões com cadeiras de plástico, café morno e clima de “vamos resolver isso aqui”. Só que ele não apareceu. Preferiu outro caminho: acionou a Polícia Militar.
Do you have a pet at home?
E então, na quarta-feira (12), lá foram quatro policiais até a Emei para checar a tal denúncia. Segundo os PMs, o pai afirmou que a filha estaria sendo “obrigada” a ter aula de religião africana — algo que a escola e a própria Secretaria Municipal de Educação desmentiram depois.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública disse que os policiais conversaram tanto com o pai quanto com a diretora. Nada de tumulto, só aquele bate-papo meio constrangido que costuma rolar quando a polícia aparece para mediar algo escolar. O órgão ainda orientou que, se alguma das partes achasse necessário, poderia registrar boletim de ocorrência. A SSP aproveitou para lembrar que a Corregedoria da PM está à disposição caso apareça alguma queixa sobre a conduta dos agentes. Tudo no protocolo.
Do outro lado, a Secretaria Municipal de Educação também se pronunciou. A SME explicou que o pai já havia sido informado que o desenho da menina fazia parte de uma atividade coletiva proposta para toda a turma — um trabalho simples, de expressão artística, ligado ao projeto pedagógico que aborda diversidade cultural, algo que tem sido bem comum em escolas do país inteiro. Basta lembrar que, recentemente, várias redes de ensino em cidades grandes reforçaram temas sobre cultura afro-brasileira para cumprir a Lei 10.639, que não é exatamente novidade.