Lula usa às redes sociais e lamenta morte de pessoa querida: “Viveu o exílio”
A notícia da morte de Clara Charf, aos 100 anos, comoveu o meio político e os círculos de militância no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi um dos primeiros a se manifestar nas redes sociais, lamentando profundamente a partida da ativista, que foi uma das grandes referências na luta pela democracia e pelos direitos das mulheres.
“Com seu falecimento, o Brasil perde uma mulher extraordinária. E eu perco uma companheira de muitas caminhadas”, escreveu Lula em uma publicação no X (antigo Twitter), onde também relembrou momentos de amizade e militância ao lado dela. O presidente destacou que Clara viveu tempos duros, enfrentou a ditadura e nunca desistiu de lutar por um país mais justo.
Clara Charf tinha uma história de vida que se confunde com a própria história política do Brasil no século XX. Nascida em 1924, em São Paulo, ela conheceu, aos 21 anos, o homem que marcaria sua trajetória pessoal e política: Carlos Marighella, líder comunista e guerrilheiro que se tornou símbolo da resistência à ditadura militar. Juntos, militaram ativamente pelo Partido Comunista e, após o golpe de 1964, passaram à clandestinidade, enfrentando perseguições e ameaças constantes.

Após o assassinato de Marighella, em 1969, Clara foi obrigada a deixar o país. Viveu por dez anos no exílio, em Cuba, onde manteve contato com movimentos revolucionários e participou de iniciativas de apoio a exilados latino-americanos. Em entrevistas posteriores, ela sempre dizia que aquele período foi de dor, mas também de aprendizado e esperança.
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Com o retorno da democracia e a promulgação da Lei da Anistia, em 1979, Clara voltou ao Brasil e rapidamente retomou sua militância. Foi uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores, integrando a Secretaria de Mulheres da sigla e atuando em diversas frentes de defesa dos direitos femininos.
Mesmo já com idade avançada, nunca se afastou da luta. Em 2003, criou a Associação Mulheres Pela Paz, entidade que trabalhou com foco na promoção da igualdade de gênero, no combate à violência contra a mulher e na formação política de jovens lideranças femininas. Era comum vê-la, mesmo aos 90 e poucos anos, participando de atos, palestras e debates, sempre com aquele jeito firme, direto e ao mesmo tempo afetuoso.
Lula, que conviveu com Clara por mais de quatro décadas, disse que aprendeu com ela lições valiosas sobre “política, solidariedade, resistência e humanidade”. O presidente destacou ainda que Clara era uma mulher “de alma generosa, que acreditava na força da coletividade e na necessidade de sonhar, mesmo quando o cenário parecia escuro”.