Paulinho informa ao PT que PL da Dosimetria beneficiará Bolsonaro
Na tarde desta quarta-feira (24/9), o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) voltou a mexer com os ânimos em Brasília. Em reunião com a bancada do PT na Câmara, ele deixou claro que o Projeto de Dosimetria das Penas — que trata da redução do tempo de prisão para os condenados por tentativa de golpe de Estado — inevitavelmente vai beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O encontro, realizado em clima de expectativa, contou com a presença de parlamentares próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Paulinho, que é o relator da proposta, prometeu entregar já na segunda-feira (29/9) uma prévia do seu parecer. Ele falou sem rodeios:
“Será uma redução de penas pra mandar essa turma pra casa. Se me perguntar: ‘E o Bolsonaro entra nisso?’, entra também. Não tem como tirar ele do relatório. Agora, quem teve posição de mando ou financiou [a tentativa de golpe] vai pegar uma pena maior”, afirmou.
A fala causou desconforto em parte da bancada petista, mas Paulinho reforçou que seu objetivo é tentar reduzir a polarização e buscar uma “pacificação na política”.
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Durante a conversa, o deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA) chegou a elogiar Paulinho, destacando que ele sempre teve um perfil conciliador. Mas o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), não deixou passar a oportunidade de brincar: “Quero ver se ele vai ter sucesso”.
Um projeto que mudou de cara
O chamado “Projeto de Dosimetria” não nasceu exatamente com essa roupagem. O texto inicial, articulado pelos aliados de Bolsonaro, defendia uma anistia ampla, geral e irrestrita para todos os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. A bancada do PL, que é hoje a maior da Câmara, segue pressionando para que o ex-presidente não cumpra pena.
Vale lembrar: em decisão histórica, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. O julgamento, transmitido ao vivo e acompanhado por milhões, dividiu ainda mais o país — um reflexo do clima de disputa política que já dura mais de uma década.
Paulinho, no entanto, decidiu alterar a proposta. Em vez de falar em anistia, ele prefere discutir apenas a redução das penas. “É um caminho do meio”, disse em conversas reservadas com aliados, tentando equilibrar o desejo da oposição com a resistência da base governista.