Notícias

Ministro Fux se torna alvo de comentaristas do jornal O Globo

Durante a sessão desta quarta-feira (10), no Supremo Tribunal Federal, o ministro Luiz Fux protagonizou um momento de tensão política e jurídica. Ele resolveu abrir divergência no julgamento da ação penal que trata do suposto golpe de Estado, processo que pode acabar levando à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao tomar essa decisão, Fux entrou em rota de colisão direta com o relator do caso, Alexandre de Moraes, que até então vinha conduzindo o processo de forma dura e centralizadora.

O simples gesto de contrariar Moraes foi suficiente para provocar uma onda de críticas, principalmente vindas de colunistas de peso do jornal O Globo, que são frequentemente identificados como alinhados ao campo progressista e simpáticos ao governo de Lula (PT). A reação foi quase imediata: bastou Fux levantar sua divergência para que os analistas passassem a questionar a coerência do ministro e até mesmo a acusá-lo de agir em benefício do bolsonarismo.

A jornalista Míriam Leitão, por exemplo, não poupou críticas. Em sua análise, ela disse que Fux caiu em contradição, lembrando que o ministro havia votado anteriormente pela condenação de réus relacionados ao 8 de janeiro. Para ela, mudar de posição agora seria um contrassenso. “Primeiro, disse que o STF não tinha competência para julgar, depois anulou a própria ação penal alegando cerceamento de defesa, e ainda avaliou que os crimes de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado de Direito eram o mesmo tipo penal”, apontou Leitão. Segundo ela, nada disso foi considerado por Fux quando o alvo eram pessoas anônimas que participaram da invasão às sedes dos Três Poderes.

Já o colunista Bernardo Mello Franco foi por outro caminho, mas também não deixou de criticar. Para ele, Fux até pode não conseguir salvar Bolsonaro sozinho, mas seu voto acaba servindo como munição para os apoiadores do ex-presidente, que acusam o STF de perseguição política. Bernardo chegou a afirmar que o ministro errou ao sustentar que os réus não tinham foro privilegiado, destacando contradições no raciocínio jurídico.

Do you have a pet at home?

Mais do que isso: Mello Franco relatou que Fux não permitiu apartes durante sua fala, deixando outros ministros da Primeira Turma visivelmente desconfortáveis, sem espaço para contestar. Segundo o colunista, os colegas ficaram de microfones desligados, evitando até mesmo contato visual, o que é um detalhe curioso e mostra o clima pesado dentro da Corte.

O que você achou?
Próximo Artigo Planalto não vê recuo dos EUA em classificar PCC e CV como terroristas