Fala de Cid sobre Bolsonaro e manifestantes chama atenção; entenda
Nos últimos dias, uma fala do tenente-coronel Mauro Cid voltou a ganhar força nas redes sociais e se espalhou por grupos de WhatsApp e perfis de X (antigo Twitter). O episódio em questão aconteceu durante um interrogatório que integra a ação penal sobre a suposta tentativa de golpe de Estado no Brasil, assunto que ainda mexe com os nervos da política nacional.
Cid, que foi um dos principais auxiliares do ex-presidente Jair Bolsonaro, relatou aos investigadores uma declaração que ouviu diretamente do ex-chefe. Segundo ele, Bolsonaro teria dito que não iria dispersar os manifestantes que permaneciam acampados em frente aos quartéis das Forças Armadas, já que, nas palavras dele, “não fui eu quem chamei eles aqui, não sou eu que vou mandar eles embora”.
A audiência, vale lembrar, aconteceu em junho deste ano, mas o conteúdo da fala só repercutiu mais recentemente, reacendendo discussões sobre até que ponto Bolsonaro estimulou – ou não – as mobilizações que ganharam força logo após o resultado das eleições de 2022. Na ocasião, o advogado Celso Vilardi, responsável pela defesa do ex-presidente, questionou Mauro Cid sobre uma possível participação de Bolsonaro nos atos. A resposta do militar foi negativa, mas ele fez questão de mencionar essa frase específica.
Esse detalhe, aparentemente simples, foi interpretado de várias formas. Para alguns analistas, o tom usado por Bolsonaro pode soar como uma espécie de “lavar as mãos”: ele não teria organizado nada, mas também não fez esforço para acabar com os protestos que, em muitos casos, chegaram a bloquear estradas, causar transtornos e virar ponto de encontro para discursos inflamados contra o Supremo Tribunal Federal e contra o processo eleitoral. Já para seus apoiadores mais fiéis, a declaração reforça a ideia de que Bolsonaro não tem ligação direta com aqueles movimentos – apenas respeitava o direito das pessoas de se manifestarem.
Do you have a pet at home?
No meio disso tudo, Mauro Cid aparece como uma peça chave. O militar, que já esteve no centro de outras polêmicas envolvendo seu ex-chefe, vem sendo visto como alguém que pode tanto aliviar quanto complicar ainda mais a situação jurídica de Bolsonaro. Ele próprio, inclusive, figura como réu na ação junto com outras sete pessoas, todas classificadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como integrantes do chamado “núcleo 1” – ou núcleo central – da suposta tentativa de golpe.