Paraisópolis tem superfícies até 15°C mais quentes que Morumbi, diz estudo
Desigualdade Térmica: Como o Calor Afeta Diferentes Regiões de São Paulo
Um estudo recente realizado pelo Cefavela (Centro de Estudos da Favela) trouxe à luz uma questão alarmante sobre a disparidade nas temperaturas entre diferentes regiões de São Paulo. Enquanto o Morumbi, um dos bairros mais nobres da zona Oeste da capital paulista, apresentou temperaturas médias de aproximadamente 30°C durante o último verão, a favela de Paraisópolis, situada nas proximidades, alcançou impressionantes 45°C. Essa diferença de até 15°C revela um cenário preocupante e destaca como a desigualdade social se reflete até mesmo nas condições climáticas que as pessoas enfrentam diariamente.
A pesquisa, que analisou 19 imagens de satélite, teve como objetivo medir as temperaturas das superfícies, como telhados, ruas e solo. Os resultados mostraram que áreas densamente povoadas e sem vegetação, como muitas favelas, tendem a registrar temperaturas significativamente mais altas em comparação com bairros vizinhos que possuem mais espaços verdes.
Os Números Alarmantes
O estudo não só destacou Paraisópolis, mas também chamou atenção para outras áreas da zona Sul da cidade. Por exemplo, o Jardim Capelinha foi o campeão em temperaturas extremas, atingindo 47,4°C na superfície. Em comparação, Heliópolis, uma das favelas mais populosas de São Paulo, também apresentou registros acima de 44°C nos dias mais quentes. Essa situação é preocupante, especialmente considerando que as temperaturas acima de 40°C são consideradas perigosas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), principalmente para grupos vulneráveis como idosos e crianças.
Fatores Contribuintes
Os pesquisadores Rohit Juneja, Flávia Feitosa e Victor Nascimento, que conduziram o estudo, ressaltaram que a falta de vegetação e a alta densidade populacional em algumas comunidades contribuem para o aumento das temperaturas. Em regiões com mais árvores ou proximidade a corpos d’água, as temperaturas tendem a ser mais amenas. Essa observação é crucial, pois leva a uma reflexão sobre a importância do planejamento urbano e a necessidade de criar espaços públicos que favoreçam a vegetação.
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A Voz dos Números
De acordo com o último censo demográfico do IBGE, São Paulo abriga cerca de 11,5 milhões de habitantes, sendo que mais de 1,7 milhão residem em favelas. Essas comunidades, que somam mais de 1.350, frequentemente enfrentam temperaturas extremas, que ultrapassam os 40°C. Essa realidade é um reflexo das condições habitacionais inadequadas e, como os pesquisadores apontaram, a exclusão urbana não se mede apenas em questões sociais, mas também em graus Celsius.