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Durante relatório sobre suposta trama golpista, Alexandre de Moraes manda forte recado a Donald Trump

Nos últimos dias, o clima em Brasília voltou a esquentar, e o protagonista da vez foi o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nessa terça-feira, 2 de setembro, antes mesmo de iniciar a leitura do relatório da ação penal que apura uma suposta tentativa de golpe envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros oito acusados, Moraes soltou uma frase de efeito que rapidamente ganhou manchetes: “A soberania nacional não se negocia”.

O ministro fez questão de destacar que esse princípio está cravado logo no artigo primeiro da Constituição Federal, o que, segundo ele, torna impossível qualquer flexibilização. “Não pode, não deve e jamais será vilipendiada, negociada ou estorquida”, frisou, em um recado direto que mirava o ex-presidente norte-americano Donald Trump, mas que também respingou em alguns aliados de Bolsonaro.

Vale lembrar que, nos últimos meses, o governo dos Estados Unidos tem aplicado sanções a autoridades brasileiras. Entre os atingidos, está justamente Moraes, que entrou na lista da chamada Lei Magnitsky, instrumento usado por Washington para punir pessoas acusadas de corrupção ou violações de direitos humanos. A medida foi vista por muitos como uma interferência externa nos assuntos do Brasil.

No mesmo tom, o ministro também mirou Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O filho do ex-presidente, que atualmente se encontra nos EUA, tem usado as redes sociais para atacar constantemente o STF. Moraes rebateu: “Coragem institucional e defesa da soberania nacional fazem parte do universo republicano dessa Suprema Corte, que não aceitará coações ou obstruções em sua missão constitucional dada pelo povo brasileiro”.

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Durante sua fala, ele foi ainda mais duro. Disse que, no andamento da ação penal, ficou claro que havia uma organização criminosa atuando de forma orquestrada para pressionar o Judiciário. Segundo Moraes, esse grupo teria tentado submeter a corte ao “crivo de outro Estado estrangeiro”, algo inaceitável em qualquer democracia séria.

Esse discurso de Moraes não veio isolado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também tem reforçado a bandeira da soberania. Em um evento realizado na sexta-feira, 29 de agosto, Lula criticou a dependência externa e disse que o Brasil precisa aprender a resolver seus problemas com autonomia, sem esperar favores dos Estados Unidos ou de qualquer outro país. “Nós precisamos pensar no tipo de nação que queremos construir. Não adianta sorrir para os americanos achando que eles vão resolver nossa vida. Se fosse assim, qual país vizinho deles ficou rico em 500 anos?”, provocou o petista.

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