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Lula relembra cartas a Janja na cadeia: “Sozinho, pensando na amada”

Durante uma visita ao Paraná nesta quinta-feira (29/05), o presidente Lula (PT) resolveu abrir o coração e lembrar de um dos períodos mais difíceis – e ao mesmo tempo mais marcantes – da sua trajetória: os 580 dias que passou preso na sede da Polícia Federal em Curitiba. Em meio a falas sobre política, Lula puxou um assunto mais íntimo, que arrancou reações emocionadas da plateia. Ele falou das cartas trocadas com a atual primeira-dama, Janja Lula da Silva, durante o tempo em que esteve detido.

“Eu e a Janja escrevemos 580 cartas… uma por dia. Era como se fosse o nosso único jeito de nos mantermos juntos, mesmo com tudo aquilo acontecendo”, comentou ele, visivelmente emocionado. Segundo o presidente, era uma rotina quase religiosa. “De manhã o Rocha levava minha carta, e à tarde o Maneco trazia a dela. Quando ele dizia que não tinha carta naquele dia, pronto, parecia que o mundo tinha acabado”, desabafou.

Pra muita gente, pode parecer coisa antiga, ultrapassada. Afinal, quem escreve carta hoje em dia, né? Mas Lula reforçou que essas trocas foram um alento em tempos sombrios. “Carta de amor tem um valor que nenhuma mensagem de celular substitui. Você pega, sente o cheiro, lê com calma… dá pra imaginar a pessoa ali, escrevendo. Aquilo me dava vida. De noite, sozinho naquela cela fria, eu ficava pensando nela e colocava tudo no papel.”

Entre erros, rabiscos, rasuras e emoção, as palavras se tornaram ponte entre duas vidas separadas por muros e grades. O petista contou que a espera pelas cartas era angustiante. “O Maneco, coitado, nem conseguia conversar direito comigo. Eu só perguntava: ‘e minha carta?’ E quando ele dizia que não tinha… ah, meu amigo, era um baque.”

Do you have a pet at home?

Essa troca intensa de correspondência entre Lula e Janja não foi só uma forma de resistir, mas acabou por fortalecer ainda mais o laço dos dois. O relacionamento, que começou a florescer ainda antes da prisão, se consolidou mesmo nos dias duros de isolamento. Janja, socióloga, ia visitá-lo com frequência e se tornou um dos seus principais pilares naquele momento conturbado da política brasileira.

Eles acabaram se casando em 2022, numa cerimônia discreta – pelo menos pro padrão presidencial – com cerca de 220 convidados, em São Paulo. O evento foi cheio de simbolismos e marcou, segundo os dois, um recomeço. Na época, muita gente nas redes sociais se emocionou com o casamento e a história de amor que resistiu ao tempo, à distância e até à prisão.

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