Justiça dá 15 dias para Cláudia Leitte se manifestar em inquérito de suposto racismo religioso
A cantora Cláudia Leitte está no centro de uma polêmica que envolve a alteração da letra da música Caranguejo. Durante apresentações recentes, a artista substituiu a referência original à orixá Iemanjá por “Yeshua”, uma alusão a Jesus Cristo. A mudança gerou controvérsias nas redes sociais e provocou reação de líderes religiosos ligados às religiões de matriz africana. Agora, o Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) abriu um inquérito civil para investigar possíveis danos morais relacionados à honra e dignidade dessas religiões.
Prazo para Manifestação e Audiência Pública
Conforme determinação do MPBA, Cláudia Leitte tem 15 dias para apresentar sua manifestação sobre o caso. Além disso, uma audiência pública está agendada para o dia 27 de janeiro de 2025, às 14h, no auditório da sede do Ministério Público, em Salvador. O objetivo é debater o impacto da alteração da letra e ouvir diferentes perspectivas. O edital convocando a audiência será publicado em breve.
A portaria também prevê a oitiva dos compositores da canção, o que deve contribuir para esclarecer o contexto e a intenção por trás da modificação.
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Entenda a Controvérsia
O caso ganhou força após vídeos de shows realizados em dezembro circularem na internet. Nas gravações, Cláudia Leitte canta “Eu canto meu Rei Yeshua” em vez do verso original “Saudando a rainha Iemanjá”. A escolha foi interpretada por muitos como uma desconsideração à importância cultural e religiosa da figura de Iemanjá, um dos orixás mais reverenciados no Brasil.
A polêmica também trouxe à tona o histórico religioso da cantora. Desde sua conversão ao cristianismo evangélico em 2014, Cláudia Leitte tem adotado referências cristãs em suas músicas e apresentações, o que já havia gerado debates no passado sobre o papel de crenças pessoais em obras originalmente ligadas a elementos afro-brasileiros.
Repercussão e Reações
A controvérsia acontece em um momento especial para a música baiana: Salvador celebra os 40 anos do Axé Music, um movimento que integra fortemente elementos das religiões de matriz africana em suas composições. O secretário de Cultura e Turismo de Salvador, Pedro Tourinho, expressou preocupação com a retirada de referências culturais e religiosas das músicas. Ele destacou que essas manifestações são parte essencial da identidade cultural da Bahia e do Brasil.