À CNN Brasil, ex-integrante do Opus Dei fala sobre traumas: “Culpa grande”
As Revelações Impactantes de Enrique Mackenzie Sobre sua Vida no Opus Dei
Recentemente, o coach Enrique Mackenzie, um ex-integrante do Opus Dei, compartilhou sua história com a CNN Brasil. Com 40 anos e natural de El Salvador, Mackenzie viveu experiências que moldaram sua vida e o deixaram com traumas que ainda o afetam. Desde muito jovem, ele esteve imerso na cultura e práticas dessa organização da Igreja Católica, tendo começado seus estudos em uma das escolas do grupo aos dois anos de idade.
Uma Infância Marcada pelo Opus Dei
Desde os doze anos, ele começou a participar das atividades do Opus Dei, que incluíam não só aulas de religião, mas também esportes, como o futebol. Essas experiências, que deveriam ser educativas e formativas, se tornaram complicadas quando Mackenzie começou a compreender sua identidade. Aos 14 anos, ao perceber que era gay, ele foi submetido a um tratamento de conversão. Esse tratamento, que envolvia medicamentos psiquiátricos, tinha como objetivo “curar” o que a organização considerava uma doença.
“Foi um processo muito longo para me assumir, foram pelo menos sete anos, com ajuda terapêutica. Quando ganhei uma bolsa para estudar em Taiwan, conheci muitas pessoas de vários países e eles começaram a falar da ciência, que ser gay não era uma doença”, contou ele em uma entrevista.
A Jornada de Autoconhecimento
Essa bolsa de estudos em Taiwan foi um divisor de águas na vida de Enrique. Ele teve a oportunidade de se conectar com pessoas de diversas culturas e realidades, o que ampliou sua visão sobre a sexualidade e a aceitação. Um intercâmbio na Bélgica também desempenhou um papel importante, ajudando-o a entender melhor a realidade de ser uma pessoa LGBTQIAPN+. “Entendi que ser gay não era um problema, que era uma coisa normal, e que eu merecia também ter um relacionamento com outros homens, a vida de uma pessoa jovem, ir a festas, bares entre amigos”, explicou ele.
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Foi um caminho árduo até que ele conseguisse se aceitar plenamente, algo que ele só conseguiu aos 25 anos. “A partir daí fiz mais de 20 anos de terapia para conseguir me livrar daquela culpa com que eu cresci”, revelou, enfatizando a importância do apoio psicológico em sua jornada.
Superando o Passado
Após ser expulso do Opus Dei, Mackenzie teve que enfrentar questões sérias e complexas. Ele reconhece que as experiências que viveu na instituição, embora dolorosas, foram fundamentais para moldar quem ele é hoje. Atualmente, ele se dedica a ajudar outras pessoas LGBTQIAPN+ que enfrentam traumas semelhantes. “Consegui perdoar porque eu entendi que não perdoar era me segurar em uma coisa que me estava doendo”, disse ele.