Irã restaura internet parcialmente após apagão de 88 dias
A Internet no Irã: Entre Ceticismo e Esperança após o Bloqueio
No dia 26 de setembro de 2023, a situação da internet no Irã ganhou novos contornos, após meses de um bloqueio quase total que isolou o país digitalmente. As autoridades iranianas, em uma tentativa de aliviar a pressão internacional e as manifestações internas, começaram a restaurar parcialmente o acesso à rede. No entanto, a reação da população foi mista, com uma combinação de ceticismo, cautela e até um toque de sarcasmo.
Um Retorno Parcial e a Realidade da VPN
Em Teerã, um homem de 46 anos, que preferiu não se identificar por questões de segurança, comentou à CNN: “Sim, estou conectado, mas ainda preciso usar uma VPN. Não se empolgue demais — a internet não está totalmente aberta, apenas deixou de estar completamente bloqueada.” Essa afirmação reflete a realidade que muitos iranianos enfrentam: mesmo com o acesso restaurado, ele ainda é limitado e, em muitos casos, inseguro.
Para quem não sabe, uma VPN, ou rede privada virtual, é uma ferramenta que cria um ‘túnel’ digital privado, essencialmente protegendo a atividade online contra hackers e rastreadores. Essa é uma solução que muitos usuários recorrem para contornar a censura e garantir um mínimo de privacidade em suas navegações. Contudo, a dependência de VPNs também revela a fragilidade do acesso à informação no país.
Expressões de Frustração nas Redes Sociais
Não demorou muito para que as redes sociais se tornassem um espaço para expressar frustrações. Muitos usuários consideraram o retorno da internet insuficiente e tardio. Uma iraniana que havia participado de protestos contra o governo expressou sua desilusão em uma postagem no X, afirmando que o regime estava tentando “trazer de volta a ‘filternet’ e fazendo um enorme espetáculo com isso”. Para ela, a conexão básica à internet não deveria ser motivo de euforia, mas sim um direito básico.
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Um Momento de Resistência
Curiosamente, enquanto a frustração predominava, alguns iranianos usaram a oportunidade para demonstrar resistência. Vários usuários começaram a publicar selfies e momentos do cotidiano no Instagram pela primeira vez em meses, uma forma de reivindicar a liberdade e a normalidade em meio a um contexto de repressão. Essa atitude de compartilhar a vida nas redes sociais, mesmo que de forma limitada, se tornou um símbolo de resistência e esperança para muitos.