Defesa diz que Ronald e Lessa eram inimigos e nega participação no crime
Julgamento do Major Ronald: Defesa Rebate Acusações no Caso Marielle Franco
No dia 24 de outubro, o Supremo Tribunal Federal (STF) se viu envolvido em um julgamento que remete a um dos casos mais emblemáticos da política brasileira: o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes. A defesa do major da Polícia Militar, Ronald Paulo Alves Pereira, apresentou argumentos contundentes para contestar a acusação de que seu cliente estaria envolvido no crime.
Contexto do Crime
O assassinato de Marielle Franco, uma importante defensora dos direitos humanos, ocorrido em março de 2018, chocou o Brasil e o mundo. Desde então, diversas investigações foram conduzidas, e alguns suspeitos foram apontados como responsáveis pelos disparos que tiraram a vida dela e de Anderson. Entre eles, Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, que já foram condenados pelas execuções. A Procuradoria-Geral da República (PGR) alega que Ronald tinha um papel ativo no monitoramento da rotina de Marielle, repassando informações a esses executores.
Defesa do Major Ronald
Durante o julgamento, a defesa do major Ronald argumentou que as acusações contra ele são baseadas principalmente na palavra de Ronnie Lessa, um delator com quem Ronald teria uma relação de inimizade. O advogado enfatizou que a alegação de que Ronald e Lessa poderiam ter colaborado em um crime é infundada, pois eles eram inimigos, com interesses e visões de mundo diametralmente opostos. “Não estamos falando de pessoas que tinham qualquer tipo de proximidade”, afirmou o defensor, ressaltando a falta de evidências concretas de uma suposta aliança criminosa.
Credibilidade da Delação
A defesa também questionou a credibilidade da delação de Lessa, argumentando que atribuir a palavra de um inimigo como fundamento para um crime é uma lógica falha. O advogado defendeu que a delação foi construída de forma a favorecer os interesses de Lessa, sem apresentar provas que comprovem, de fato, a participação de Ronald no planejamento do crime.
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Relatos Indiretos e Suposições
Outro ponto levantado pela defesa foi a fragilidade das evidências apresentadas no processo. O advogado classificou a apuração como baseada em “ouvir dizer”, o que, segundo ele, não é suficiente para embasar uma condenação. “Esse tipo de construção não cabe em um juízo de condenação”, disse, enfatizando a necessidade de provas robustas e objetivas para sustentar qualquer acusação criminal.