Vice do PT surpreende aliados ao defender operação no Rio com frase chocante
O clima dentro do PT começou a esquentar de novo, e, desta vez, o centro da confusão foi o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, que também é um dos vice-presidentes nacionais do partido. Durante um seminário do próprio PT sobre segurança pública, realizado nesta terça-feira (2/12) no Rio de Janeiro, ele soltou uma declaração que caiu como uma bomba entre correligionários e até entre aliados mais próximos. Em meio a debates técnicos e falas cheias de números, Quaquá decidiu improvisar e saiu em defesa da megaoperação policial realizada em outubro nos complexos da Penha e do Alemão. E não foi uma defesa tímida, não: ele disse que a polícia “só matou otário” e que, se fosse para matar, “tinha que matar mil”.
A frase, que parece saída de um boteco político e não de um evento oficial, repercutiu quase imediatamente. “O Bope só matou ali otário, vagabundo, bandido. Eu perguntei: ‘Tem trabalhador aí?’. Não. Tudo bandido”, disparou o prefeito, diante de um auditório que ficou visivelmente desconcertado. Em seguida, ele tentou reforçar a lógica: segundo ele, o problema da operação não era o número de mortos — e sim o fato de que ela não teve ocupação prolongada. “O Complexo da Penha tem mais de mil soldados do tráfico. Então, se fosse pra matar, tinha que matar mil soldados. A questão é que a operação foi uma operação de entrar e não de ocupar.”
Só que o contexto dessa fala é pesado. A megaoperação, considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, terminou com 122 mortos, incluindo quatro policiais. A ação levantou discussões sobre excesso de força, violações de direitos humanos e até sobre a eficácia real dessas grandes incursões em territórios dominados por facções criminosas. Desde outubro, o assunto volta e meia reaparece no noticiário, principalmente depois de novas diretrizes do governo federal para operações integradas — diretrizes que, aliás, geraram tensão entre o governador Cláudio Castro e o ministro da Justiça.
E essa não é a primeira vez que Quaquá se manifesta sobre o tema. Logo após a operação, ainda em outubro, ele já tinha dito que a ação foi “necessária”. Na época, a fala também gerou ruído, mas passou meio batida porque o debate estava dominado por imagens de helicópteros atirando e relatos de moradores encurralados. “Não concordo com a maneira como o governador botou o pé na operação, tentando jogar a culpa no Governo Federal, mas a ação foi necessária, embora devesse ser melhor planejada”, afirmou o prefeito naquele momento.
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