Secretária é demitida do partido de Bolsonaro após ritual polêmico
A secretária-adjunta do Partido Liberal (PL) no Piauí, Denise Xavier, viveu nos últimos dias uma situação que misturou constrangimento, dor e um impacto direto na vida profissional. Em uma sequência de publicações nas redes sociais, ela afirmou ter sido demitida do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro após sofrer ataques ligados à sua religião, um episódio que rapidamente ganhou repercussão e levantou de novo o debate sobre intolerância religiosa no Brasil — algo que, em pleno 2025, ainda insiste em aparecer, mesmo dentro de instituições que deveriam prezar pela diversidade e pelo respeito.
Segundo Denise, tudo começou com comentários em grupos internos de WhatsApp, que deveriam servir para assuntos organizacionais do partido, mas que acabaram virando palco para ofensas. Colegas a teriam chamado de “macumbeira” e espalhado acusações de que ela estaria levando um “despacho” para a sede do PL em Teresina. As falas, que viralizaram dentro da estrutura partidária, chegaram a níveis que, segundo ela, beiraram o absurdo.
De acordo com a Federação Umbandista do Brasil (Feubra), responsável por emitir uma nota de repúdio, houve inclusive mensagens sugerindo a instalação de câmeras no prédio para vigiar se Denise “não estaria levando terra de cemitério” para o local. A entidade classificou o caso como uma demonstração clara de preconceito contra religiões de matriz africana — um tema que já rendeu embates recentes no Congresso, debates em comissões e protestos organizados em diferentes capitais.
Em um dos trechos mais fortes de seu desabafo, Denise relatou:
“Fui desrespeitada. Me chamaram de macumbeira, disseram que eu pareço uma assombração nas escadas e que precisariam colocar câmeras para ver se eu não estava levando despacho para dentro do partido”. Ela afirma que áudios internos, compartilhados entre integrantes da sigla, comprovariam as ofensas e que toda essa situação não ficou apenas no campo moral — teve impacto direto no bolso e na rotina. “Por conta disso, eu também perdi meu emprego, perdi meu cargo”, lamentou.
How many pets have you had?
O caso lembra outros episódios recentes que voltaram a colocar o tema da intolerância religiosa no centro da discussão pública. Em 2024, por exemplo, foram registradas dezenas de ataques a terreiros no Rio de Janeiro e na Bahia, muitos deles motivados por discursos de ódio disseminados em redes sociais. A própria ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, participou de encontros emergenciais com líderes religiosos para tentar conter a escalada de casos. E agora, com a denúncia de Denise envolvendo um partido político de grande expressão nacional, o debate reacende com mais força.