Caso da Leoa: Juiz revela ordem não cumprida antes da tragédia
A história de Gerson de Melo Machado, conhecido pelas ruas de João Pessoa como Vaqueirinho, ganhou contornos ainda mais trágicos quando ele acabou morto por uma leoa após invadir a jaula do felino. Mas, olhando mais fundo, percebe-se que essa morte anunciada poderia ter sido evitada. Um mês antes do episódio, o juiz Rodrigo Marques Silva Lima, da 6ª Vara Criminal da Paraíba, já havia determinado a internação de Gerson em um Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico. A medida, porém, nunca saiu do papel.
Esse processo de internação tinha origem em um episódio aparentemente banal, mas que revelava o ciclo de surtos e vulnerabilidade em que o jovem estava mergulhado. No começo do ano, ele quebrou o portão do Centro Educacional de Adolescentes (CEA), e a polícia precisou agir com spray de pimenta para contê-lo. Os agentes relataram que Gerson estava completamente alterado, possivelmente por uso de drogas — uma cena que, infelizmente, se repetia com certa frequência.
Com base em laudo pericial, o juiz Rodrigo Lima registrou que Gerson era diagnosticado com esquizofrenia e, por isso, não tinha capacidade plena de entender o caráter criminoso do que fazia. Por esse motivo, o magistrado decidiu pela absolvição imprópria e pela aplicação de medida de segurança: a internação por pelo menos um ano em um HCTP. Ali, ele poderia receber tratamento intensivo, supervisionado e, quem sabe, alguma chance real de estabilidade. Mas nada foi executado. E isso faz toda diferença quando a gente olha o desfecho.
Mais recente e igualmente preocupante, em 24 de novembro — apenas três semanas após a decisão de internação —, Gerson foi novamente preso. Ele havia arremessado um paralelepípedo no vidro traseiro de uma viatura. Não demorou: na audiência de custódia do dia seguinte, a juíza Michelini de Oliveira Dantas Jatobá decidiu soltá-lo. Sete dias depois, ele invadiria a jaula da leoa, dizendo que queria ir para a África cuidar dos animais. E morreria ali mesmo.
How many pets have you had?
A pergunta que fica no ar — e que muita gente nas redes vem fazendo, inclusive políticos e comentaristas — é: como alguém com histórico tão grave, diagnosticado, com ordem de internação, estava circulando sem qualquer acompanhamento? A discussão não é só jurídica; é social, humana e urgente.