Nikolas Ferreira humilha Lula após veto à linguagem neutra
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a movimentar as redes sociais após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionar, nesta segunda-feira (17), a nova lei que proíbe o uso da chamada “linguagem neutra” em toda a administração pública brasileira. Assim que a notícia começou a repercutir, Nikolas não perdeu tempo: fez uma publicação irônica, misturando crítica política, provocação e até um toque de deboche.
“Ninguém vai acusá-lo de homofóbico ou transfóbico? Que surpresa. Quando era a gente pedindo isso, era isso que eu ouvia”, escreveu o deputado ao compartilhar uma reportagem sobre o tema. O parlamentar, que costuma participar de debates acalorados sobre gênero e educação, ainda completou com outra frase em tom de alfinetada: “Até o relógio parado acerta duas vezes ao dia”. Para deixar o post ainda mais sugestivo, ele escolheu a música “Corpo Sensual”, da cantora Pabllo Vittar, como trilha sonora — um gesto claramente planejado para provocar reações.
A lei sancionada por Lula
A legislação assinada pelo presidente veta o uso de “novas formas de flexão de gênero e número” que não estejam previstas nas normas oficiais da língua portuguesa, incluindo regras gramaticais, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) e o Acordo Ortográfico. Na prática, a medida impede que termos como “todes”, “amigues” ou pronomes neutros como “elu” sejam utilizados em documentos, comunicados e materiais oficiais da administração pública.
A proibição vale para órgãos federais, estaduais, municipais e distritais, e abrange os três Poderes. Governos, secretarias, escolas públicas, autarquias, tribunais — todos deverão seguir a norma sem exceção. O assunto, que já vinha sendo discutido desde 2023, voltou ao centro do debate político, dividindo opiniões nas redes e nas arenas partidárias.
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O histórico de polêmicas envolvendo Nikolas
Nikolas Ferreira, que construiu parte de sua carreira política debatendo temas ligados a gênero e educação, há anos se posiciona contra o uso da linguagem neutra. Mas esse não é o único ponto que o relaciona ao assunto: o deputado já enfrentou diversas acusações de transfobia ao longo de sua trajetória.
Em 2023, ele protagonizou um dos episódios mais comentados do Congresso. Subiu à tribuna da Câmara usando uma peruca e afirmou que se “sentia uma mulher” naquele momento, apresentando-se com o nome “Nikole”. Em seu discurso, disse que “mulheres estão perdendo espaço para homens que se sentem mulheres”, o que gerou forte reação de entidades ligadas aos direitos das pessoas trans. Muitas delas classificaram o ato como discurso de ódio e zombaria contra a população trans.