Data Favela: 57% deixariam o crime se tivessem oportunidade de emprego
Mudança de Vida: O Que Poderia Fazer Pessoas Ligadas ao Tráfico Deixar o Crime?
Uma pesquisa bastante interessante realizada pelo Instituto Data Favela, que ouviu 3954 pessoas envolvidas em atividades relacionadas ao tráfico de drogas, trouxe à tona dados significativos sobre a vontade de mudança dessas pessoas. Surpreendentemente, 57% dos entrevistados afirmaram que deixariam a vida criminosa se tivessem acesso a oportunidades de trabalho ou a chance de empreender. Essa amostra foi coletada em favelas de 23 estados do Brasil, refletindo uma realidade complexa e, muitas vezes, ignorada pela sociedade.
Metodologia da Pesquisa
As entrevistas foram feitas por pesquisadores que foram diretamente às comunidades, garantindo uma abordagem mais próxima e realista. As perguntas foram organizadas em um questionário extenso, composto por 84 questões, que se dividiam em quatro módulos: família, educação e saúde; caminhos do crime; vivências, cotidiano, consumo e cultura; e gênero, raça e juventude. Essa estrutura permitiu uma análise detalhada e abrangente do contexto em que essas pessoas estão inseridas.
Motivos para Deixar o Crime
Quando questionados sobre o que poderia motivá-los a deixar o crime, a maioria destacou a busca por um emprego formal com carteira assinada ou a possibilidade de empreender como as principais razões. Oito em cada dez pessoas, ou seja, 57% dos entrevistados, indicaram que um emprego estável ou a possibilidade de abrir um negócio próprio seriam razões decisivas para mudar de vida. Esse dado revela não apenas um desejo de sair do tráfico, mas também a necessidade de dignidade e segurança financeira.
Quando analisamos apenas a disposição para empreender, 22% dos entrevistados disseram que deixariam o crime por essa razão. Em São Paulo, esse percentual sobe para 25%, o que indica um cenário onde a cultura do empreendedorismo pode estar se fortalecendo nas comunidades. Por outro lado, 20% afirmaram que deixariam as atividades ligadas ao tráfico se conseguissem um emprego com carteira assinada. Em São Paulo, esse número cai para 14%, mas em contraste, o Rio de Janeiro apresenta uma taxa de 30%, enquanto o Rio Grande do Sul chega a impressionantes 49%.
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A Pesquisa Raio-X da Vida Real
Essa iniciativa foi promovida pela Central Única das Favelas (CUFA), em parceria com a Favela Holding e o Instituto DataGoal. A pesquisa, intitulada Raio-X da Vida Real, foi realizada entre os dias 15 de agosto e 20 de setembro de 2025. O Data Favela é reconhecido como o primeiro instituto de pesquisa do Brasil focado em realizar estudos nas favelas e periferias brasileiras. Isso demonstra um avanço na busca por entender as realidades desses espaços e as necessidades de seus moradores.