Paulo Gonet surpreende e gesto acende alerta de esperança para virada de Bolsonaro
O clima continua meio nebuloso, quase como aquelas manhãs de Brasília em que a neblina demora a levantar. Entre advogados que atuam diretamente nos processos da chamada trama golpista, circula uma conversa que começou lá atrás, ainda no comecinho do primeiro mandato de Paulo Gonet à frente do Ministério Público da União. Alguns deles, que convivem com o procurador-geral tanto no meio jurídico quanto no acadêmico, contam que ouviram dele uma avaliação, digamos, pragmática: a prisão humanitária do ex-presidente Jair Bolsonaro poderia ser o caminho mais lógico a seguir. A tese não agrada muita gente, claro, mas é vista com naturalidade por setores jurídicos do governo Lula, que alegam que o estado de saúde do ex-chefe do Executivo já é bem conhecido e que uma pena em regime domiciliar estaria tecnicamente dentro da lei.
Gonet, como era de se esperar, mantém silêncio público sobre o tema. E o assunto ganhou ainda mais tensão depois que uma assessora do gabinete do ministro Alexandre de Moraes visitou as instalações da Papuda, ali na região do Distrito Federal. A simples ida dela ao local já levantou especulações de todos os lados, especialmente nas redes sociais, que — como sempre — transformaram boatos em certezas absolutas em questão de minutos.
Há quem lembre o caso do ex-presidente Fernando Collor: ele chegou a ser levado para um presídio em Alagoas antes de ganhar o direito de cumprir pena em casa no processo da Lava Jato. Algo parecido poderia acontecer com Bolsonaro. Talvez — e isso ainda está no campo das hipóteses — ele tivesse de passar alguns dias na prisão antes de Moraes decidir se aceita ou não os pedidos por uma domiciliar baseada em razões humanitárias. No fim das contas, a palavra final seria do ministro, que segue à frente de boa parte das decisões relacionadas ao 8 de Janeiro.
Durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, quando buscava sua recondução ao cargo de procurador-geral, Paulo Gonet fez questão de se defender de acusações de que agia em sintonia absoluta com Moraes no caso da suposta trama golpista. Ele afirmou que “a tinta que imprime as peças produzidas pela Procuradoria-Geral da República não tem as cores das bandeiras partidárias”, numa tentativa clara de mostrar isenção. Também lembrou que já havia pedido o arquivamento de investigações ligadas ao próprio Bolsonaro, como o caso das suspeitas de fraude em cartões de vacinação — tema que, por sinal, voltou a circular na internet recentemente após novas acusações de aliados.
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