Gaby Amarantos traz novo olhar sobre Círio de Nazaré: “Periferia no centro”
A Laje de Nazaré: Celebrando a Cultura Periférica no Círio de Nazaré
Na vasta tapeçaria cultural do Brasil, o Círio de Nazaré se destaca como uma das maiores e mais significativas manifestações religiosas do país. Com raízes profundas na cidade de Belém do Pará, esse evento transcende a mera celebração religiosa, envolvendo uma rica mistura de tradições, devoções e expressões culturais. Este ano, a artista Gaby Amarantos, com sua iniciativa chamada Laje de Nazaré, traz um olhar renovado para o evento, enfatizando a importância da cultura periférica no coração dessa festividade.
A Origem e a Relação Pessoal com o Círio
Gaby Amarantos, 47 anos, nasceu e cresceu em Belém, e sua conexão com o Círio é profundamente pessoal. Desde que veio ao mundo, sua vida esteve entrelaçada com as promessas feitas à Nossa Senhora de Nazaré. Ela compartilha uma história marcante de sua infância: “Nasci de sete meses, prematuramente. Minha mãe fez uma promessa para Nossa Senhora de Nazaré pedindo que se eu vingasse até o Círio, ela me levaria bebezinha. Eu tinha menos de três meses de vida quando participei pela primeira vez. Desde que nasci, já fui abençoada”. Essa experiência moldou sua visão de mundo e sua arte, refletindo a força da cultura e da fé.
A Laje de Nazaré e a Inclusão da Periferia
A Laje de Nazaré é mais do que um projeto; é um movimento que visa colocar a cultura periférica em evidência. Gaby descreve essa iniciativa como uma forma de mostrar que a periferia não deve ser vista como uma borda, mas sim como o centro da celebração. A estética da aparelhagem, que é um símbolo da cena musical nas periferias, é incorporada ao evento, com artistas que se apresentam e homenageiam a Rainha da Amazônia. Na edição anterior do evento, nomes como Leona Cavalli, Gretchen e Zeca Pagodinho se apresentaram, reforçando a diversidade que o Círio pode oferecer.
Um Círio Diversificado
O Círio de Nazaré, embora tenha suas origens na Igreja Católica, é uma festa que acolhe pessoas de todas as crenças. Gaby ressalta a importância desse aspecto inclusivo, dizendo: “Minha mãe era uma mulher que cantava no terreiro de tambor de mina, na gira de Candomblé, rezava o terço e a gente aprendeu a fazer esse ‘crossover’. Ela sempre nos ensinou a respeitar todas as religiões e formas de manifestação”. Essa união de tradições é o que faz do Círio um evento tão rico e multifacetado.
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