Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Moraes, é encaminhado para delegacia na Itália
Nesta quarta-feira (1º de outubro), mais um episódio envolvendo Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, movimentou os noticiários. Com um pedido de extradição já em aberto, ele acabou sendo levado pela polícia italiana até uma delegacia local. De acordo com seu advogado, ainda não há clareza sobre os próximos passos do processo, o que deixa no ar uma sensação de incerteza que só reforça o peso político e jurídico da situação.
As primeiras informações divulgadas na imprensa italiana dão conta de que Tagliaferro teria sido notificado sobre uma medida cautelar: a obrigação de permanecer na cidade onde se encontra, sem autorização para deixar o território. Esse tipo de restrição, embora não seja exatamente uma prisão, já mostra o quanto a justiça italiana está disposta a cooperar com as autoridades brasileiras, mesmo que o caso ainda dependa de debates diplomáticos.
No Brasil, Tagliaferro enfrenta acusações pesadas. A Procuradoria-Geral da República o denunciou por crimes como violação de sigilo funcional, obstrução de investigações de organização criminosa, coação durante processo judicial e até tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito — uma expressão que vem aparecendo com frequência nos últimos anos, principalmente depois dos atos de 8 de janeiro de 2023, que ainda ecoam no noticiário.
Segundo a PGR, o ex-assessor teria repassado informações sigilosas, incluindo diálogos internos e petições de servidores ligados a Moraes, para a imprensa. Um dos veículos que recebeu esse material foi a Folha de S. Paulo. O caso não é novo: desde abril, Tagliaferro já estava indiciado pela Polícia Federal, e em agosto, Moraes determinou o bloqueio de suas contas bancárias, além de enviar ao Ministério da Justiça um pedido formal de extradição.
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As acusações e os contra-ataques
Do outro lado da moeda, o ex-assessor não fica calado. Ele acusa o ministro Alexandre de Moraes de manipular relatórios para embasar operações contra empresários ligados ao bolsonarismo, lá em 2022. Vale lembrar que Tagliaferro trabalhou entre agosto de 2022 e julho de 2023 no TSE, justamente na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, período em que Moraes presidia a Corte. Ou seja, não é alguém distante da rotina do tribunal — estava no coração das discussões sobre fake news e política digital.