Governo Trump menciona “poder militar” ao falar do julgamento de Bolsonaro
O clima político internacional ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, 9 de setembro, quando a Casa Branca resolveu se pronunciar sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A fala partiu de Karoline Leavitt, atual porta-voz do governo americano, que usou uma expressão forte: segundo ela, os Estados Unidos não hesitariam em acionar o “poder militar” para assegurar aquilo que chamam de defesa da liberdade de expressão.
A declaração caiu como uma bomba, não só aqui no Brasil, mas em vários círculos políticos ao redor do mundo. Em um momento onde se discute tanto sobre os limites da Justiça, sobre fake news, polarização e até mesmo sobre a influência de líderes internacionais no debate interno de cada país, ouvir uma potência militar como os EUA falar em “garantir a liberdade de expressão” com tropas armadas soa, no mínimo, preocupante.
É claro que, como em quase tudo na política, a frase gerou interpretações diferentes. Para uns, o recado seria apenas uma forma de demonstrar solidariedade a Bolsonaro e seus apoiadores, que há tempos alegam perseguição política. Já para outros, a fala pode ter sido mais um gesto de pressão simbólica, uma maneira de reafirmar os princípios que os Estados Unidos costumam defender, ao menos no discurso, desde a Guerra Fria: democracia, liberdade e direito de manifestação.
No entanto, quando um país que mantém bases militares espalhadas pelo mundo inteiro fala em “usar poder militar”, o eco é inevitável. As redes sociais, como sempre, se tornaram palco de debates acalorados. Em poucos minutos após a fala de Leavitt, hashtags como #LiberdadeDeExpressao e #EUA apareceram entre os assuntos mais comentados no X (antigo Twitter). Alguns usuários chegaram a comparar o tom da declaração com os discursos de presidentes norte-americanos nos anos 2000, quando se justificava a invasão ao Iraque sob o argumento de levar “democracia” ao Oriente Médio.
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Aqui no Brasil, parlamentares também reagiram. Deputados ligados à base governista acusaram Washington de interferência externa e lembraram que o país norte-americano tem um histórico de intromissões em assuntos internos da América Latina. Já membros da oposição usaram a declaração como combustível para reforçar o discurso de que Bolsonaro estaria sendo injustiçado.
É interessante observar como esse tipo de posicionamento internacional pode mudar o rumo de discussões internas. Se já havia um ambiente polarizado por conta do julgamento, agora a situação se intensifica, pois um ator poderoso entrou no jogo. É como se uma partida de futebol, que já estava tensa, de repente recebesse a entrada de um jogador de nível mundial, capaz de desequilibrar o placar apenas com sua presença.