Lula rompe o silêncio e revela que anistia corre o “risco” de ser aprovada no Congresso
Na última quinta-feira, 4 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a falar sobre um tema que ainda gera bastante polêmica e discórdia no país: a possibilidade de anistia para os condenados pelos atos do dia 8 de janeiro de 2023. Durante uma visita ao Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte – considerada a maior favela da capital mineira –, Lula afirmou que, caso o tema seja colocado em votação no Congresso Nacional, há um risco real de aprovação.
O encontro aconteceu em clima de proximidade, com transmissão ao vivo no Instagram do presidente. A conversa, que envolveu comunicadores e lideranças comunitárias, foi interrompida em determinado momento por um grito vindo da plateia: “sem anistia”. Essa manifestação surgiu enquanto Lula criticava a postura do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em viagens aos Estados Unidos, acusando-o de tentar deslegitimar as instituições brasileiras no exterior.
O presidente não fugiu da provocação e respondeu de forma direta: “Se for votar no Congresso, corremos o risco de aprovar a anistia. O Congresso não é eleito pela periferia. Ele tem ajudado o governo em alguns pontos, mas a extrema-direita continua com muita força. Essa é uma batalha que precisa ser feita pelo povo”, disse.
As palavras de Lula refletem uma preocupação que tem ganhado destaque nos últimos meses. Setores da direita mais radical, que apoiaram as invasões de prédios públicos em Brasília no 8 de janeiro, vêm pressionando parlamentares para aprovar uma anistia ampla, que poderia beneficiar tanto os manifestantes presos quanto lideranças acusadas de incentivar os atos. A esquerda, por outro lado, rejeita a ideia, alegando que ela abriria um precedente perigoso de impunidade.
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Vale lembrar que o tema da anistia não é novo na política brasileira. Desde a redemocratização, em 1985, essa palavra volta e meia aparece em momentos de crise. Mas agora, o debate ganha novos contornos, especialmente em meio a um cenário de redes sociais inflamadas e polarização crescente. Basta olhar no X (antigo Twitter) para ver as hashtags “#SemAnistia” e “#AnistiaJá” disputando espaço nos trending topics quase toda semana.
No encontro em BH, Lula também fez questão de dialogar com os moradores do Aglomerado. Ele afirmou que “estamos vivendo um momento delicado, precisamos politizar nossas comunidades”. Segundo ele, a população das favelas e periferias não pode se afastar da política, já que é justamente nesses locais que as decisões de Brasília mais impactam no dia a dia, seja na fila do posto de saúde, no preço do feijão ou no transporte público.