Amorim vê com preocupação envio de navios dos EUA para a costa da Venezuela
Celso Amorim e a Preocupação com a Intervenção dos EUA na Venezuela
No último dia 20, Celso Amorim, assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, fez declarações que chamaram a atenção sobre a presença de navios norte-americanos na costa da Venezuela. Durante uma sessão da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, Amorim expressou sua preocupação com essa movimentação militar, afirmando que a não-intervenção é um princípio fundamental da política externa brasileira.
O Contexto da Intervenção
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, justificou o envio de tropas ao afirmar que o objetivo seria combater as gangues de drogas na América Latina, as quais ele classificou como organizações terroristas globais. Essa abordagem militar, segundo Amorim, é alarmante e, em suas palavras, “não-intervenção é fundamental”.
Ele destacou: “Não posso esconder que vejo com preocupação o deslocamento de barcos americanos e a forma como estão abordando a questão”. Para Amorim, a política externa do Brasil deve se basear em princípios que respeitem a soberania dos países da região e evitem intervenções externas.
Riscos de uma Narrativa Militar
Amorim também levantou questões sobre a crescente narrativa em torno do uso de força total contra o crime organizado, argumentando que a luta contra as atividades ilegais deve ser feita por meio da cooperação entre os países, não por intervenções unilaterais. Essa cooperação é vital para garantir a estabilidade na América Latina, uma região que já enfrenta desafios significativos.
Do you have a pet at home?
A Situação Política na Venezuela
Durante a mesma audiência, Amorim foi questionado sobre a posição do Brasil em relação às eleições venezuelanas programadas para 2024. Ele afirmou que aguardava as atas das votações, mas que estas nunca foram apresentadas. “Nós nunca tomamos uma atitude de reconhecimento de governo, mas mantivemos uma relação de Estado”, disse ele, deixando claro que o Brasil não se envolve em questões internas de outros países de maneira precipitada.
Tarifas dos EUA e a Relação Brasil-EUA
Além de suas preocupações sobre a Venezuela, Amorim também criticou as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Ele defendia que o governo brasileiro deve sempre buscar o diálogo, mas reconheceu as dificuldades em manter esse diálogo com a atual administração de Trump. “Com outros países, a questão tarifária geralmente se limita ao comércio, mas com o Brasil, a discussão começa com questões de política interna brasileira”, explicou.