Saiba o significado do uso de roupas brancas no velório de Preta Gil
Na manhã do dia 25 de julho de 2025, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro amanheceu diferente. Silencioso, mas carregado de emoção. Foi ali que aconteceu o velório de Preta Gil, um dos nomes mais marcantes da música e da luta por representatividade no Brasil. Entre flores brancas e lágrimas sinceras, amigos, familiares e fãs compareceram ao local não só pra dar o último adeus, mas pra celebrar uma vida que, mesmo curta, foi intensa, amorosa e cheia de propósito.
Uma coisa que logo chamou atenção de quem passava pela Cinelândia foi o mar de roupas brancas que tomou conta da entrada do teatro. Nada foi por acaso. O branco, muito além da estética, carrega um peso simbólico forte na tradição afro-brasileira. É cor de paz, de fé, de respeito. É a cor de Oxalá, de Iemanjá. É também a forma como muitas religiões de matriz africana se despedem dos seus, com serenidade e reverência.
O filho de Preta, Francisco Gil, chegou acompanhado da namorada, a ex-BBB e atriz Alane Dias. Os dois estavam vestidos de branco dos pés à cabeça, numa imagem que comoveu quem acompanhava pelas redes sociais e pela imprensa. Muitos dos amigos mais próximos da cantora também usavam camisetas com o rosto dela estampado, além da frase “Preta tudo. Amor sempre foi ação”. Um lembrete do quanto ela foi ativa — no amor, na arte, na resistência.
Mas Preta Gil não era só música, palco e militância. Ela também era fé. Filha de Oxum, orixá das águas doces, do amor e da beleza, Preta nunca escondeu sua ligação com o Candomblé. Em várias entrevistas e postagens nas redes, ela deixava claro que via a morte não como fim, mas como passagem. Pra ela, morrer era atravessar o caminho do Àiyé, esse nosso mundo aqui, em direção ao Orun — o plano espiritual, onde vivem os orixás, Olorun (o Deus supremo) e os ancestrais.
Do you have a pet at home?

Durante sua batalha contra o câncer, que durou mais de um ano, Preta manteve firme sua fé. Era comum vê-la compartilhando fotos com oferendas a Oxum ou rezando para Nossa Senhora Aparecida — numa mistura bonita e sincera de fé afro-brasileira com o catolicismo popular. Era como se ela dissesse: “Tô aqui lutando com tudo que tenho e com tudo que acredito”.