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Em evento, Lula critica voto de pobre em rico: “Ele só é rico porque já roubou”

Nessa sexta-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso quente e direto lá no Jardim Rochdale, um bairro de periferia em Osasco, região da Grande São Paulo. Falando pra uma plateia formada em grande parte por moradores de comunidades carentes, Lula levantou uma questão que muitos evitam tocar: por que é que o povo da periferia insiste em votar em “prefeito rico”? E foi além — criticou a ideia de que ser rico é sinônimo de honestidade.

“Não é nós contra eles, é eles contra nós!”, disparou o presidente, meio indignado com as críticas que costuma levar por usar esse tipo de discurso, que, segundo ele, apenas escancara uma realidade doída: os interesses de ricos e pobres, no fundo, raramente se cruzam.

Num tom meio de desabafo, Lula apontou o dedo pro que ele vê como uma inversão perigosa de valores dentro da própria classe trabalhadora. Segundo ele, muita gente que mora nas quebradas acaba comprando o papo de que político rico não precisa roubar porque já tem dinheiro. “O pobre fala assim ‘eu vou votar no prefeito que é rico porque ele não vai roubar porque já é rico’. Ora, ele só é rico porque já roubou, porra!”, disparou, sem papas na língua, como de costume.

E não parou por aí. Pra Lula, esse tipo de pensamento só reforça o preconceito do pobre contra ele mesmo. “O pobre fica com preconceito contra o pobre”, comentou, dando a entender que falta autoestima e mais consciência de classe na hora do voto. Ou seja, tem algo quebrado aí.

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O discurso veio no mesmo dia em que o governo federal anunciou um pacote de investimentos pesados — bilhões de reais — destinados a projetos em 49 áreas periféricas, espalhadas por 32 cidades de 12 estados do país. Não é pouca coisa. E é justamente pra esse público que Lula quer falar. Pra ele, votar em “gente igual a gente” pode fazer mais diferença do que parece.

“Quando a gente vota num cara rico, significa que tá colocando uma raposa pra tomar conta do galinheiro. Vocês acham que a raposa vai tomar conta do galinheiro?”, provocou, arrancando risos e aplausos da plateia. A metáfora, apesar de batida, ainda funciona. Principalmente quando o público se identifica com a mensagem.

Essa fala também entra numa discussão mais ampla que o governo tem tocado: a reforma tributária. O Executivo tá defendendo um aumento da taxação sobre quem ganha mais de R$ 50 mil por mês, pra poder compensar a isenção do Imposto de Renda pra quem ganha até R$ 5 mil. É aquela ideia de que os que ganham mais precisam contribuir mais. E, claro, isso gera resistência entre os mais abastados, como era de se esperar.

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