Eduardo Bolsonaro parte para cima de Tarcísio após fala ousada do governador
Na última terça-feira, dia 15 de julho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) decidiu subir o tom de vez contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A treta gira em torno do tarifaço que os EUA, liderados por Donald Trump, impuseram ao Brasil. E quem tá no fogo cruzado? O agronegócio, a indústria e, claro, o jogo político de 2026.
Eduardo, que muita gente já vê como o “plano B” de Jair Bolsonaro caso o pai continue inelegível, parece ter mirado de vez no antigo aliado. Num post na rede X (antigo Twitter), o “03” do clã Bolsonaro compartilhou uma notícia em que Tarcísio tenta justificar a aproximação com os americanos dizendo que sua luta contra o tarifaço é, na verdade, uma defesa da indústria, dos trabalhadores e do agronegócio paulista.
Mas Eduardo não comprou esse discurso. Sem papas na língua, respondeu que, se Tarcísio realmente estivesse preocupado com a economia brasileira, ele estaria se posicionando contra o “regime de exceção” — termo usado por bolsonaristas para se referir ao que consideram abusos do STF, principalmente de Alexandre de Moraes. “Mas como, pra você, a subserviência servil às elites é sinônimo de defender os interesses nacionais, não espero que entenda”, escreveu Eduardo, em tom bem ácido.
Vale lembrar que Eduardo tem se apresentado como o principal articulador de bastidores entre o bolsonarismo e o ex-presidente americano Donald Trump. Segundo ele (e seu fiel escudeiro, o youtuber bolsonarista Paulo Figueiredo), só uma anistia aos envolvidos no 8 de janeiro poderia fazer com que Trump voltasse atrás nas tarifas. A lógica é meio confusa, mas dentro do discurso deles, a pressão sobre o STF (principalmente sobre Moraes) resolveria tudo.
How many pets have you had?
Essa briga pública deixa clara uma rachadura cada vez mais visível no campo da direita. Tarcísio, ex-ministro de Bolsonaro e tido por muitos como herdeiro “técnico” do bolsonarismo, vem tentando se descolar da ala mais radical. E isso, evidentemente, incomoda a base mais fiel do ex-presidente.
Na prática, o governador vem adotando um tom mais diplomático. Em entrevista à CNN Brasil nesta semana, ele minimizou as críticas de Eduardo. Disse que não vê problema no posicionamento do deputado, mas que sua prioridade é São Paulo. “Neste momento, tô olhando pra indústria paulista, pra nossa aviação, pra parte de máquinas e equipamentos, pro agro, pros empreendedores e trabalhadores daqui”, afirmou, com aquele jeitão de gestor que evita confronto direto.