Lula volta atrás e cancela pronunciamento sobre Trump; entenda
O Palácio do Planalto resolveu dar um passo atrás — pelo menos por enquanto — e cancelou o pronunciamento que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faria em rede nacional pra responder às declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que decidiu impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida causou barulho nos bastidores do governo e vinha sendo tratada como tema delicado desde o início da semana.
Segundo apurou a coluna de Igor Gadelha, do portal Metrópoles, o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, afirmou nesta quinta-feira (10) que nem sequer se discute mais a possibilidade de Lula falar ao vivo pra todo o país. A ideia, que até pouco tempo parecia avançar nos bastidores, agora esfriou de vez.
Dentro do próprio governo, a leitura é de que um pronunciamento nesse momento poderia soar como aproveitamento político. E isso num cenário em que qualquer palavra mal colocada vira munição pros opositores. A ordem entre os mais próximos do presidente é adotar cautela. O ambiente é tenso e os riscos, muitos.
Apesar disso, fontes ligadas ao PT garantem que não houve medo nem recuo da parte do Planalto. Ao contrário do que alguns andaram espalhando por aí, a decisão foi mais estratégica do que defensiva. O governo considera que tem controlado bem a narrativa sobre o embate com Trump e não quer correr o risco de desalinhar o discurso num momento tão sensível.
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Vale lembrar que a taxação de Trump pegou o governo brasileiro meio de surpresa. A tarifa de 50% anunciada atinge diretamente exportações do agronegócio, setor que tem forte peso na balança comercial e também influência política — inclusive entre os aliados mais conservadores. A resposta de Lula, portanto, precisaria ser milimetricamente calculada, o que, segundo fontes internas, ainda não é o caso.
Nos bastidores, o entendimento é que o momento exige mais estratégia do que impulso. Há um receio generalizado de que qualquer reação precipitada alimente o discurso de rivalidade com os EUA, principalmente agora que os norte-americanos também estão às vésperas de uma eleição presidencial. Com Trump tentando retornar ao poder, qualquer fala de Lula pode virar combustível político pro republicano.
Além disso, setores do governo avaliam que o Brasil também precisa olhar pro próprio umbigo. A tensão comercial não surgiu do nada. Alguns analistas apontam que faltou diálogo nos meses anteriores e que o Itamaraty, que deveria prever esse tipo de movimento, não deu a devida atenção. Agora, o governo corre atrás do prejuízo — e com mais cuidado do que pressa.