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Globo não perdoa e detona presidente Lula por se solidarizar a Cristina Kirchner, vítima de lawfare

Mais uma vez o jornal O Globo resolveu mostrar a que veio. No editorial publicado neste domingo (6), o jornal não poupou críticas ao presidente Lula por ter se encontrado com a ex-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, durante sua viagem a Buenos Aires pra reunião do Mercosul. O gesto, que foi mais de solidariedade do que de diplomacia formal, acabou virando munição pra um ataque que, no fundo, diz muito mais sobre a visão de mundo do próprio jornal do que sobre a conduta do presidente.

O Globo publicou o texto com o título “Visita de Lula a Cristina Kirchner contamina diplomacia com ideologia”, o que já entrega o tom. O jornal acusa Lula de extrapolar os limites da diplomacia por posar ao lado de Cristina e do Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, segurando um cartaz que pedia a liberdade da ex-presidenta. Pra eles, isso é mistura perigosa entre política interna e relações exteriores. Só que o buraco é mais embaixo.

Cristina Kirchner, assim como o próprio Lula, foi alvo de algo chamado lawfare — o uso da Justiça como arma política. É quando processos judiciais são usados pra perseguir, destruir reputações e impedir que lideranças populares cheguem ou permaneçam no poder. E isso não é teoria da conspiração, é realidade documentada. Lula sabe o que é isso na pele. E Cristina também. Assim como Rafael Correa, Evo Morales e Fernando Lugo.

A crítica do jornal é contraditória. Quando líderes de direita fazem alianças ou mostram apoio mútuo, isso é visto como estratégia. Quando é a esquerda, é “contaminação ideológica”. O problema, pro Globo, parece não ser a mistura de política e diplomacia, mas o fato de Lula ter apoiado alguém que faz parte de um campo político que eles preferem ver longe do poder.

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Além disso, o editorial faz um esforço estranho pra defender um sistema judicial que, pelo menos na Argentina, tá longe de ser exemplo de imparcialidade. A sentença contra Cristina levou quase uma década pra sair, com base em provas questionáveis e um contexto político bem claro. Mas o jornal prefere falar em “profusão de provas”, um termo que não diz nada, mas soa técnico.

É curioso como o Globo se incomoda com Lula se manifestando sobre casos jurídicos em outro país, mas a própria mídia tradicional brasileira não pensa duas vezes antes de opinar sobre o que acontece na Venezuela, em Cuba ou no Peru — desde que isso sirva aos interesses econômicos certos, claro. A crítica à concessão de asilo à ex-primeira dama peruana Nadine Heredia, mencionada de passagem no editorial, segue a mesma lógica: solidariedade só é válida quando não desafia o mercado.

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