“Somos piores que milícia”, diziam PMs investigados por corrupção
Escândalo de Corrupção: PMs de Belford Roxo Envolvidos em Esquema de Segurança Privada
Recentemente, uma série de áudios e documentos obtidos pelo Ministério Público do Rio de Janeiro trouxe à tona um escândalo de corrupção envolvendo policiais militares que se orgulhavam de receber propinas de comerciantes em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Essa situação alarmante foi revelada nesta terça-feira (1º) durante uma operação coordenada pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ), que resultou na prisão de nove policiais militares até o final da manhã.
Uma Investigação Chocante
Os áudios, que fazem parte das investigações, revelam diálogos em que um dos policiais denunciados se vangloria, dizendo: ‘nós somos piores que milícia’. Fábio Corrêa, coordenador do GAESP/MPRJ, destacou a curiosidade da situação, ressaltando a gravidade das declarações. A operação contou com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Corregedoria-Geral da Polícia Militar (CGPM), ressaltando a seriedade com que as autoridades estão tratando o caso.
Como Funcionava o Esquema
De acordo com as investigações, os policiais militares cobravam entre R$ 50 e R$ 300 por semana, dependendo do tamanho e do tipo do estabelecimento. Os locais que eram “protegidos” incluíam uma variedade de comércios, como lojas, farmácias, universidades, funerárias, restaurantes e até mesmo um posto do Detran. Essa prática não apenas viola a ética e a legalidade do serviço público, mas também coloca em risco a segurança da população, que acredita estar sendo protegida por aqueles que deveriam garantir a ordem e a justiça.
Termos Curiosos e Relações de Poder
Os policiais envolvidos no esquema utilizavam uma terminologia peculiar para se referir aos comerciantes que pagavam por sua proteção. Eles eram chamados de ‘padrinhos’, uma referência que poderia ser vista como quase pitoresca, como se estivessem vivendo em um roteiro de cinema. Essa relação não apenas denota uma quebra de moralidade, mas também evidencia como a corrupção pode se infiltrar em instituições que deveriam ser exemplos de integridade e compromisso com a sociedade.
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O Papel da Polícia Militar
Os crimes ocorreram entre os anos de 2021 e 2024, período em que os policiais estavam lotados no 39º BPM (Belford Roxo). É importante notar que parte dos investigados já havia sido transferida para outras unidades, como os batalhões de Niterói (12º BPM), Duque de Caxias (15º BPM), Mesquita (20º BPM), BPTur e até para a Prefeitura de Belford Roxo. Essa movimentação levanta questões sobre a supervisão e controle das ações dos policiais, especialmente em um momento em que a confiança da população nas forças de segurança é crucial.