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RJ: Quadrilha que cobrava por resgate de carros roubados é alvo de operação

Desvendando a Operação Torniquete: O Combate ao Roubo de Veículos no Rio de Janeiro

Nesta manhã de sexta-feira, 23 de março, a Polícia Civil do Rio de Janeiro lançou uma operação significativa contra uma quadrilha que estava extorquindo pagamentos para a devolução de veículos roubados. Essa ação, parte da Operação Torniquete, é coordenada pela Delegacia de Roubo e Furtos de Automóveis (DRFA) e pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). O foco principal é uma organização criminosa bem estruturada que, segundo as autoridades, tem contribuído para o aumento alarmante de roubos de veículos no estado.

O Que Dizem as Investigações

Conforme os investigadores, em menos de um ano, quatro empresas conseguiram arrecadar mais de R$ 11 milhões ao recuperar automóveis. No mesmo período, essas empresas devolveram mais de 1,6 mil veículos aos seus proprietários. A operação desta manhã incluiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra sócios e funcionários dessas companhias. A rapidez com que os veículos são recuperados é impressionante; em média, em algumas dessas empresas, o tempo entre o roubo e a recuperação é de apenas quatro dias.

Como Funcionava o Esquema

O inquérito policial revelou um esquema complicado. As empresas que atuam na recuperação de veículos, frequentemente chamadas de “pronta resposta” ou “pronto emprego”, eram contratadas por associações e cooperativas de proteção veicular. Elas negociavam diretamente com traficantes e receptadores para o pagamento de valores que garantissem a devolução dos veículos. Essa prática era uma forma de evitar que as associações tivessem que indenizar seus clientes com base na tabela Fipe, que estipula o valor justo dos veículos.

Esse modelo de operação acabou impactando diretamente o aumento significativo de roubos de veículos nos últimos meses, especialmente no segundo semestre do ano passado e durante os primeiros meses deste ano. A maioria dos casos ocorreu na capital e na Baixada Fluminense. Quando um veículo protegido era roubado, os funcionários dessas empresas rapidamente entravam em contato com os criminosos para negociar a devolução. Muitas vezes, essas negociações aconteciam dentro das comunidades dominadas por facções criminosas, o que tornava o processo ainda mais arriscado e, paradoxalmente, eficiente para os bandidos.

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Consequências e Rentabilidade

  • Pagamentos elevados: Em média, as empresas pagavam mais de R$ 6 mil por veículo recuperado, sendo que parte desse valor ia para o resgate e a maior parte ficava com a empresa.
  • Aumento do Crime: A rentabilidade deste esquema não apenas beneficiava os criminosos, mas também as empresas envolvidas.
  • Investigações em Andamento: As investigações da Polícia Civil continuam em busca de desmantelar todo o esquema criminoso.

A Operação Torniquete e Seus Resultados

A operação de hoje é parte da segunda fase da Operação Torniquete, que visa combater não apenas o roubo, furto e receptação de veículos e cargas, mas também crimes que financiam atividades de facções criminosas, como o Comando Vermelho. Desde o início da operação, em setembro de 2024, mais de 520 pessoas foram presas e cerca de R$ 37 milhões em veículos e cargas foram recuperados. Além disso, a operação resultou no bloqueio de mais de R$ 70 milhões em bens e valores, mostrando uma força considerável no enfrentamento ao crime organizado.

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