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Gilberto Gil: mais um músico da geração dourada se despede

O adeus aos palcos e o desejo de continuar criando

Nos últimos anos, outros gigantes da música também optaram por encerrar suas turnês. Milton Nascimento realizou a derradeira em 2022, e o norte-americano Paul Simon, parceiro musical de Milton, se despediu em 2018—embora recentemente tenha surpreendido os fãs ao anunciar uma nova turnê.

Paquito, cantor e crítico musical, comentou sobre esse fenômeno: “O artista nunca para de criar. A música é como um chamado divino. Por isso, muitos voltam atrás e continuam compondo e se apresentando.”

A carreira de Gil começou oficialmente em 1962, com o lançamento de um compacto simples em Salvador. Desde então, foram mais de seis décadas de inovações, parcerias icônicas e contribuições inestimáveis para a cultura brasileira.

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No palco da Fonte Nova, além da guitarra, Gil também empunhou seu inseparável violão, emocionando a plateia com Se Eu Quiser Falar com Deus, acompanhado por um quarteto de cordas. Essa performance intimista foi um dos pontos altos da noite.

Em seu site oficial, ele explicou a decisão de se despedir dos grandes shows: “Levei em conta muitos fatores, como a exigência física dessas turnês e o próprio mercado da música. Quero continuar compondo e tocando, mas em um novo ritmo. Antes disso, essa turnê será uma grande celebração.”

Entre política e emoção: um show com mensagens fortes

Enquanto Gil entoava Cálice, música composta com Chico Buarque e censurada pela ditadura militar, imagens de vítimas da repressão foram exibidas no telão. Entre elas, a do ex-deputado Rubens Paiva, arrancando aplausos do público. No estádio, começou um coro espontâneo de “Sem anistia”, ecoando o movimento que pede punição para os responsáveis pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

No momento de Não Chore Mais—versão brasileira de No Woman, No Cry, de Bob Marley—, a emoção tomou conta do público. A relação de Gil com o reggae vem de longa data, e seu histórico show ao lado de Jimmy Cliff, na própria Fonte Nova, em 1980, foi relembrado.

Convidados especiais e homenagens marcantes

Outro momento de destaque foi quando Gil dedicou Drão à filha Preta Gil, que assistia ao show emocionada. Além disso, a apresentação contou com participações especiais: Russo Passapusso, da banda BaianaSystem, subiu ao palco para cantar Emoriô, enquanto Margareth Menezes, atual Ministra da Cultura, juntou-se a Gil para entoar Toda Menina Baiana, promovendo um encontro simbólico entre dois ex-ministros da pasta.

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