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Neguinho dá adeus a Beija-Flor, mas deixa legado ao carnaval com voz marcante: “Fazendo tratamento para aguentar”

“Olha a Beija-Flor aí, gente!” – quem nunca ouviu esse grito icônico ecoando na Sapucaí? Difícil imaginar o carnaval carioca sem a voz marcante de Neguinho da Beija-Flor, um dos maiores intérpretes da história do samba. Mas o desfile de 2025 trará um tom diferente: será a última vez que ele puxará o samba da escola de Nilópolis.

Aos 75 anos, Neguinho decidiu encerrar sua trajetória como cantor oficial da Beija-Flor. E ele mesmo admite: não será fácil. “Estou em tratamento com uma psicóloga. Ela está me dando alguns truques para aguentar esse momento”, revelou em entrevista exclusiva. Afinal, são cinco décadas de dedicação, embalando 14 títulos e conquistando cinco Estandartes de Ouro, prêmio concedido pelo jornal O Globo ao melhor intérprete do carnaval.

“Fiz tudo o que eu queria fazer. Deus foi bom demais para mim”, declarou, emocionado, ao falar sobre essa despedida que, embora planejada, não deixa de ser dolorosa.

O Último Samba e a Homenagem a um Amigo

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A princípio, Neguinho pensava em parar em 2024, mas decidiu estender sua despedida em homenagem a Laíla, icônico diretor da Beija-Flor, falecido em 2021, vítima da Covid-19. “Eu ia parar antes, mas eu não podia deixar de homenagear esse grande amigo, irmão, meu primeiro produtor”, explicou.

E essa despedida será em grande estilo. O enredo de 2025, intitulado “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”, prestará tributo a esse nome que foi essencial na trajetória da escola. Nada mais justo que a voz de Neguinho seja a responsável por entoar esse samba uma última vez.

Um Símbolo de Comunidade e Simplicidade

Se a Beija-Flor é uma das maiores escolas de samba do Brasil, Neguinho tem uma grande parcela de culpa nisso. Ele não é apenas a voz da agremiação – é um ícone da comunidade de Nilópolis.

“São 22 anos de Beija-Flor e convivi muito com ele. O Neguinho chegava cedo na quadra e ficava jogando cartas com a gente. Ele gosta de estar com a comunidade, com a bateria… ele tem muita simplicidade”, contou Xandão Cuíca, percussionista da escola.

A porta-bandeira Selminha Sorriso, um dos grandes nomes da Beija-Flor, também se emociona ao falar do intérprete. “Ele é um ídolo para mim. É difícil imaginar a escola sem ele”, confessou.

A nova geração do samba também sente essa despedida. A intérprete Ane Lopes, que dividirá o microfone com Neguinho no desfile de 2025, falou sobre sua admiração: “Ver um cara preto, em uma posição tão incrível, e cantando daquele jeito, despertou a minha paixão pelo carnaval. O que eu levo para a minha vida, que o Neguinho me ensinou, é a elegância. Quero ser tão humilde quanto ele é”.

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