Processo de Ludmilla contra Marcão do Povo por racismo tem reviravolta
A disputa judicial entre a cantora Ludmilla e o apresentador Marcão do Povo, que começou em 2017, continua gerando repercussão e desdobramentos. Recentemente, a controvérsia ganhou um novo capítulo após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) absolver o jornalista da condenação por injúria racial, que havia sido imposta pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).
Uma decisão polêmica
Na última quinta-feira (19/12), a ministra Daniela Teixeira, do STJ, anulou a sentença de 2023, que condenava Marcão a um ano e quatro meses de prisão e ao pagamento de R$ 30 mil de indenização à cantora. Segundo a magistrada, a condenação anterior se baseou em um vídeo editado, o que, para ela, comprometeu a análise completa do caso.
“É temerosa a aceitação de vídeo editado para sustentar um decreto condenatório em que foi excluída toda a fala do recorrente, havendo ênfase em determinadas expressões sem a devida contextualização”, destacou Daniela em sua decisão, conforme divulgado pela coluna F5, da Folha de S. Paulo.
A reação de Ludmilla e seus advogados
Diante da nova decisão, os advogados de Ludmilla se manifestaram por meio de nota oficial, afirmando que vão recorrer ao STJ. “Confiamos que o colegiado reverterá a decisão, julgando a conduta do acusado criminosa e preconceituosa, impedindo, assim, um imenso retrocesso para a luta contra o racismo no País”, declarou o comunicado.
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Nas redes sociais, a indignação de fãs e apoiadores da cantora foi imediata, fazendo com que o termo “Justiça por Ludmilla” se tornasse um dos assuntos mais comentados no Twitter nesta terça-feira (24/12).
O início da disputa
O episódio que deu origem à batalha judicial aconteceu em 2017, quando Marcão do Povo, então apresentador do Balanço Geral DF, da Record TV, fez comentários considerados racistas enquanto comentava uma notícia sobre Ludmilla. Na ocasião, o apresentador afirmou: “Era pobre e macaca, pobre, mas pobre mesmo. Sempre falo, eu era pobre e macaco também”.
A fala, que gerou ampla repercussão negativa, foi justificada por Marcão como uma “expressão regional”, mas não evitou sua demissão da emissora. Ludmilla, por sua vez, considerou a declaração profundamente ofensiva e entrou com uma ação judicial por injúria racial.
Avanços e retrocessos no caso
Em 2022, Marcão foi inocentado em primeira instância, mas, no ano seguinte, o TJDFT reverteu a decisão, condenando-o por racismo. Na época, a cantora comemorou a condenação nas redes sociais, expressando alívio e justiça após anos de espera.