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Bruno Gagliasso admite que era racista: “Aprendi vivendo”

O ator Bruno Gagliasso participou do programa Sem Censura na última terça-feira (26) e, em uma conversa franca com Cissa Guimarães, revelou como a experiência de adotar os filhos Titi e Bless transformou sua vida. Durante o programa, Bruno admitiu que precisou enfrentar questões profundas sobre racismo e reconhecer como a sociedade em que cresceu influenciou sua visão de mundo. “Aprendi vivendo. Eu era racista”, afirmou com sinceridade, destacando a importância de se reconhecer o problema para, então, trabalhar em mudanças reais.

Bruno explicou que vivemos em um contexto social que, muitas vezes, naturaliza comportamentos racistas. Segundo ele, o processo de desconstrução começa com a aceitação de que todos somos, de alguma forma, impactados por esse sistema. “É algo que todos nós precisamos fazer. Primeiro, reconhecer, e depois buscar aprender e evoluir. Mas não dá para esperar que as pessoas nos ensinem. É uma responsabilidade individual”, refletiu.

A paternidade como transformação

O ator revelou que foi a paternidade que o ensinou a enxergar o racismo de forma mais profunda e a compreender as dores enfrentadas por seus filhos. “A paternidade me trouxe felicidade, mas também tristeza por perceber que demorei tanto a aprender. Na pele, nunca vou sentir o que meus filhos sentem, mas na alma, sim, porque não existe amor maior do que o que tenho por eles. É uma dor que não dá para descrever”, disse, emocionado.

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Essa vivência, segundo Bruno, trouxe mudanças não apenas na sua percepção, mas também em suas ações e posicionamentos. Ele destacou que a convivência com Titi e Bless o fez compreender a necessidade de criar um ambiente de acolhimento e respeito, tanto dentro de casa quanto na sociedade. “Meus filhos me ensinaram muito mais do que eu poderia ensinar a eles”, confessou.

O impacto das redes sociais

Além de lidar com o desafio de educar os filhos em um mundo marcado por preconceitos, Bruno também enfrenta o ódio nas redes sociais. Ele relembrou as críticas e ataques que recebeu ao adotar Titi e Bless, especialmente por serem crianças negras nascidas na África. “Na época, nem se falava tanto sobre a adoção de duas crianças pretas. Era sobre terem vindo de um continente africano. Como se amor tivesse CEP”, disse, ao questionar os julgamentos que enfrentou.

Bruno enfatizou que a decisão de adotar não foi planejada com base na origem dos filhos, mas fruto de um encontro especial que aconteceu de forma inesperada. “Não fui à África para adotar. Estávamos lá, e o amor simplesmente aconteceu”, explicou. Para ele, a escolha foi natural, guiada por um sentimento maior que superou barreiras culturais ou preconceitos.

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